Ed Ferreira/AE- 2/1/2011
Ed Ferreira/AE- 2/1/2011

Sucessão na Câmara preocupa governo

PMDB aguarda gesto positivo de Dilma sobre cargos e espaço político para só então definir qual candidatura vai apoiar na Casa

Christiane Samarco, Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff tem até o final desta semana para recuperar a confiança do PMDB e tentar evitar tumulto na sucessão da Câmara dos Deputados, pois crescem as possibilidades de sucesso de candidaturas dissidentes ao candidato oficial da base aliada, o petista Marco Maia (RS).

Líderes do PMDB dizem estar sendo assediados por pelo menos três pré-candidatos: o líder do PR Sandro Mabel (GO), Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG).

As nomeações para o segundo escalão do governo estão suspensas até 1.º de fevereiro, quando serão eleitos os presidentes da Câmara e do Senado. O que o PMDB quer é evitar a repetição do que ocorreu na montagem do primeiro escalão, quando os peemedebistas viram sua cota de poder minguar e o PT ganhar força com um placar de 17 ministérios contra seis do PMDB.

O partido espera, ainda hoje, uma sinalização positiva da presidente, na reunião da coordenação política do governo. Os peemedebistas querem de Dilma a garantia de que vão manter o comando de estatais estratégicas, sobretudo as do setor elétrico ligadas ao Ministério de Minas e Energia, comandado pelo senador Edison Lobão (PMDB-MA).

A desconfiança e as insatisfações dos partidos governistas com o quinhão de poder que lhes coube no primeiro escalão são os principais combustíveis que alimentam as dissidências na Câmara. A alternativa que os peemedebistas consideram mais forte hoje é a do deputado Sandro Mabel, que já fala como candidato. "Todos dizem que o presidente da Câmara fala bem com os jornalistas. Então, vamos conversar", brincou ele ontem, ao atende a telefonema do Estado.

O deputado diz que só oficializará seu nome "se continuar a insatisfação nos partidos da base", incluindo aí seu PR. A estratégia dos insatisfeitos é multiplicar as candidaturas para levar a disputa com Maia ao 2º turno.

O líder do PR já tem até discurso para fazer frente ao petista. Ele tenta se consolidar como opção da bancada de empresários, que soma quase metade dos 513 deputados, mostrando que a opção por Maia significaria o fortalecimento da agenda sindical no Congresso - a começar pela redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. Mabel é empresário e Maia tem origem no movimento sindical. Tal como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista era metalúrgico e tem apoio de movimentos sociais.

Ao menos por enquanto, os partidos de oposição não pretendem entrar na briga dos governistas. Como somam apenas 100 deputados, PSDB e DEM avaliam que não têm força suficiente para virar o resultado e o pôr em risco as vagas que a regra da proporcionalidade lhes garante no comando da Casa e das comissões. "Não temos muita capacidade para nos mexer", admite o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), para concluir: "Se houver quatro ou cinco candidatos, será por incompetência do governo e do PT".

O cenário no Senado não preocupa o governo. Depois de insistir que não seria candidato, o atual presidente José Sarney (PMDB-AP) trabalhou bem nos bastidores e hoje é o único nome para sua própria sucessão. Deverá presidir a Casa pela quarta vez.

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