Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

''Sucesso de Dilma é meu sucesso'', diz Lula em festa do PT

Ex-presidente critica os ''formadores de opinião'' que, segundo ele, tentam criar diferenças entre o governo dele e o de sua sucessora

Eugênia Lopes, Leonencio Nossa e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2011 | 00h00

Quarenta dias após descer a rampa do Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a estrela do ato político organizado pelo PT, na noite de ontem, para comemorar os 31 anos do partido. Ao participar da festa, Lula atacou em tom exaltado a mídia e a oposição, que, no seu diagnóstico, estão tentando criar divergências entre o governo dele e o de Dilma Rousseff.

"O sucesso do governo Dilma é o meu sucesso. O fracasso de Dilma é o meu fracasso", reclamou o ex-presidente. Para ele, os formadores de opinião pública não entendem nada de psicologia. "A minha relação com a Dilma é indissociável nos bons e nos maus momentos", insistiu Lula, ao ser reconduzido à presidência de honra do PT.

Dilma chegou à festa bem depois, mas não discursou. Ao lado do padrinho político e de dirigentes petistas, ela assoprou velas de um bolo de 31 anos do PT e cantou Parabéns a Você.

Aplaudido de pé, Lula disse que sempre acreditou na candidatura de sua ministra da Casa Civil, mesmo quando todos diziam que ela era "um poste". Em tom irônico, o ex-presidente afirmou que baterá palmas toda vez que falarem bem de Dilma. "Eu apenas não estou no governo. Mas sou governo como qualquer companheiro que está no governo", insistiu. "Se a grande desconstrução do governo Lula é falar bem do governo Dilma, eu posso morrer feliz."

Terceiro mandato. Diante de um partido dividido por disputas internas relativas a cargos e espaços nas comissões do Congresso, e sem o aliado PMDB na plateia, o ex-presidente destacou que seu objetivo era eleger alguém que pudesse fazer mais e melhor. "Se fosse para fazer o mesmo, eu teria disputado o terceiro mandato", disse.

No papel de conselheiro do PT, Lula também pediu que seu partido e o aliado PSB não percam tempo e comecem a planejar candidaturas para as prefeituras, em 2012. "Tem muita cidade em jogo. Temos de maturar as alianças que queremos fazer."

A poucas cadeiras de distância do presidente da CUT, Arthur Henrique, o ex-presidente voltou a defender a manutenção do acordo firmado em seu governo para o reajuste do salário mínimo. "Ninguém precisa ficar brigando pelo salário mínimo. Vamos ficar brigando pelo salário máximo", discursou.

O auditório lotado do Sindicato dos Bancários reuniu os ex-presidentes do PT, como o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino - réus no escândalo do mensalão -, além de ministros e governadores. Lula defendeu os companheiros e disse que, em 2005, o PT foi vítima da "campanha mais infame" contra um partido.

Em tom coloquial e provocando risadas na plateia, ele comparou a vida de um ex-presidente a de um "cão que cai de um caminhão de mudança, sem saber o lado que vai". Lembrou, porém, que continuará na ativa por muito tempo. "Se alguém acha que eu deixei a Presidência e me aposentei, escafedeu-se. Se tiver uma boa causa, terá um bom soldado na rua para lutar", observou. Lula e o presidente do PT José Eduardo Dutra também fizeram uma homenagem ao ex-vice-presidente José Alencar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.