Sucesso no metrô, bibliotecas chegam às estações da CPTM

Projeto criado e mantido por ONG já promoveu 443 mil empréstimos de obras em 5 anos

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

03 de junho de 2009 | 00h00

A ideia era que o cidadão tropeçasse nos livros. E, assim, o Brasil se tornasse um pouco mais leitor. Começou, em setembro de 2004, com uma biblioteca de pouco mais de 2 mil títulos na Estação Paraíso do Metrô de São Paulo. O nome do projeto - Embarque na Leitura - soou como um convite, atendido por um bom número de usuários do transporte público. Depois de se espalhar por outras quatro estações da cidade - Tatuapé, Luz, Largo 13 e Santa Cecília -, e também por duas cariocas, uma recifense e uma porto-alegrense, os livros ganharam ontem outro endereço: a Estação Brás da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Entrevista com William Nacked e lista de livros mais procurados"É a primeira biblioteca brasileira em uma estação de trem", afirma o diretor do Instituto Brasil Leitor, William Nacked. A organização social, com 211 funcionários, é a responsável pela criação, instalação e gerência do projeto.Com acervo inicial de cerca de 2 mil livros de diversos gêneros - literatura, filosofia, religião, artes, história, autoajuda -, a biblioteca deve se aproveitar do grande movimento da estação, por onde circulam, todos os dias, 450 mil pessoas. "É um polo de grande volume", concorda Nacked. Ele conta que ainda não tinha planos de expandir o projeto para outras estações da CPTM. "Mas fui intimado hoje (ontem) mesmo e acertamos que haverá unidades nas Estações Itaim Paulista e Osasco, já no segundo semestre", promete Nacked.O presidente da CPTM, Sérgio Avelleda, diz acreditar que a "disseminação da cultura" é um compromisso da companhia. "Nossa prioridade, evidentemente, é o transporte. Mas temos espaço para outras políticas públicas", explica. "Faz muito tempo que queríamos agregar à CPTM esse projeto que faz tanto sucesso no Metrô."Desde que começou, há cinco anos, o Embarque na Leitura atraiu 36 mil leitores cadastrados, com 345 mil empréstimos de livros, só em São Paulo. Considerando as estações de outras capitais brasileiras, são 42 mil leitores e 443 mil empréstimos. E quem acha que muita gente empresta e não devolve está enganado. O índice de não-devolução é de apenas 0,24%.EXPANSÃONacked revela que já há discussões adiantadas com a São Paulo Transporte (SPTrans) para que, em breve, dois terminais de ônibus da cidade também tenham suas bibliotecas. "Precisamos estar em lugares por onde as pessoas passam regularmente", explica o diretor do projeto. "Só assim elas vão ?tropeçar? nos livros."

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