Sucessor de Abadía e 11 são presos pela PF

Colombiano Rincon-Ordonez pretendia sair do País

Fausto Macedo e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

07 Fevereiro 2009 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem o colombiano Jorge Rincon-Ordonez, apontado como sucessor de Juan Carlos Ramirez Abadía, supertraficante condenado pela Justiça Federal a 30 anos de prisão e extraditado para os Estados Unidos em 2008. Segundo a PF, Ordonez coordenava uma organização que enviava carregamentos de drogas para Europa, África, México e Estados Unidos.Ele pretendia sair do País, rumo ao Panamá, a bordo de uma aeronave que seus cúmplices compraram por US$ 1,1 milhão. Às 5 horas, Ordonez foi capturado no Aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, por uma força-tarefa denominada Operação Aquário. Documentos obtidos pela PF indicam que o grupo mantém US$ 500 milhões em seis contas na Alemanha, Itália e Holanda.A missão contra o tráfico internacional de entorpecentes também deteve outros cinco colombianos, cinco brasileiros e um alemão em São Paulo, Rio, Paraná, Goiás e Roraima. Entre os prisioneiros há dois pilotos de avião. Três suspeitos estão foragidos. Foram realizadas buscas em 21 endereços. Os federais apreenderam US$ 12 mil, seis automóveis e uma espingarda. A Aquário foi desencadeada por ordem do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal em São Paulo, o mesmo que condenou Abadía ao final da Operação Farrapos.Há cerca de um ano, De Sanctis determinou à PF que rastreasse uma fortuna de US$ 35 milhões que Abadía afirmou ter escondido em território brasileiro. O nome da operação que levou a Ordonez vem de uma senha que Abadía usava quando se referia a lugares onde guardava seus bens.Os federais, sob comando do delegado Ricardo Andrade Saadi - chefe da Delegacia de Combate a Crimes Financeiros da PF -, deram início a uma maratona de interceptações telefônicas e ações de inteligência. A Aquário contou com a cooperação da DEA (Drugs Enforcement Administration), a poderosa agência antidrogas dos EUA. Os investigadores da DEA informaram que Ordonez é alvo da Justiça da Flórida, que decretou a prisão do colombiano por conspiração para importar cocaína, distribuição de substância controlada e lavagem de dinheiro. Os Estados Unidos pediram recentemente à Colômbia a extradição de Ordonez. "A quadrilha estava tentando se estabelecer no Brasil com dois objetivos principais: lavar dinheiro do narcotráfico e adquirir aviões para o transporte de drogas e valores", declarou o delegado Leandro Daiello Coimbra, superintendente da PF em São Paulo.A ocultação de bens provenientes do comércio de drogas era feita por meio da compra de veículos de luxo e imóveis, informou o delegado Ricardo Saadi, reconhecido como maior autoridade federal no combate a crimes financeiros. Segundo Saadi, parceiros de Ordonez também planejavam montar empresas de fachada, abertas com documentos forjados e uso de laranjas.Ordonez, quando ainda subordinado de Abadía, exercia o papel de tesoureiro do cartel de drogas. A PF suspeita que a organização pretendia se alojar em um hangar em Campinas. O avião apreendido tem capacidade para 18 passageiros. "A aeronave foi adaptada para transporte de drogas", explicou Saadi. "Todos os assentos foram retirados e instalaram um tanque de combustível para ampliar a autonomia."A investigação revela que cada integrante do grupo de Ordonez tinha função específica. "Uma parcela agia como precursora", ressaltou Saadi. "Um cuidava da abertura de empresas com papéis frios, outro fazia negociações para compra de aviões." Um brasileiro, capturado em São Paulo, sem folha de antecedentes, era encarregado de arrumar a documentação. Ele também clonava cartões bancários.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.