Sufocada na Assembleia, oposição tenta atrair classe média

Bancada do PT sofre com tamanho da base de apoio a Alckmin e quer promover eventos fora do Legislativo paulista

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

Entre a sólida base de apoio do Executivo na Assembleia Legislativa e o pouco poder institucional dos deputados estaduais, a oposição ao governador Geraldo Alckmin, encabeçada pelo PT, tenta encontrar uma linha de atuação que possa enfraquecer a hegemonia tucana em São Paulo. Mesmo com a maior bancada no Legislativo estadual, o PT não consegue aprovar CPIs para investigar o governo ou sequer derrubar projetos caros a Alckmin. Resta à oposição, segundo os próprios parlamentares, atuar fora da Assembleia. O partido pretende promover, cada vez mais, audiências públicas, com a esperança de aproximar-se do eleitorado.

Mesmo enfraquecidos na Assembleia, os deputados petistas preferem submeter-se à presidência tucana na Casa e ter um assento cativo na Mesa Diretora. O dilema ficou claro na reeleição do atual presidente, Barros Munhoz (PSDB). Diante das inúmeras acusações de improbidade administrativa que vieram à tona contra o tucano, alguns parlamentares petistas defenderam que o partido lançasse nome próprio para a presidência. A maioria da bancada, contudo, avaliou que valia mais a pena aliar-se ao PSDB e eleger Rui Falcão (PT) para a primeira-secretaria, mantendo capacidade de influência na pauta de votações.

"O governador queria que o projeto de criação da Região Metropolitana de São Paulo fosse votado nesta semana", explica o líder do PT, Enio Tatto, em referência a um dos maiores contenciosos entre governo e oposição. "Se não estivéssemos na Mesa Diretora, não teríamos o poder de prorrogar as discussões."

Na atual legislatura, a primeira medida dos deputados petistas foi a tentativa de criação de uma CPI para investigar a cobrança de pedágio nas estradas estaduais. Mas uma manobra da base governista impediu que a comissão fosse adiante. De acordo com o regimento interno da Casa, apenas cinco CPIs podem funcionar simultaneamente. Para evitar que o PT conseguisse investigar o Executivo, a bancada do PSDB protocolou 12 pedidos de comissões - todas para investigar temas com pouca chance de causar prejuízos ao governo, como as comissões para investigar implantes dentários e o serviço das operadoras de TV a cabo.

Desde o primeiro mandato de Alckmin, o PT conseguiu implementar uma comissão para investigar o governo tucano, a CPI da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), no mandato do ex-governador José Serra. Mesmo sem causar nenhum dano político ao governo, a comissão foi considerada uma vitória da oposição.

Discurso. Os percalços enfrentados pelo PT na Assembleia são o reflexo de um obstáculo maior: a dificuldade do partido de encontrar um discurso que agrade à classe média paulista. A tentativa de criação de uma CPI para investigar os pedágios foi calculada. Os deputados avaliam ser este o tema com maior potencial de danos políticos ao governo estadual.

Impedidos de atuar institucionalmente na Assembleia - os petistas não devem sequer conseguir a presidência de nenhuma das principais comissões, como Constituição e Justiça, Segurança ou Transportes -, a oposição deve tentar uma interlocução mais direta com o eleitor.

A ideia é realizar diversas audiências públicas, tanto dentro da Assembleia quanto em cidades do interior, onde o PT é mais fraco. "Precisamos ampliar nossa capilaridade, mostrar que estamos trabalhando pela população", afirma João Paulo Rillo (PT), líder da oposição na Assembleia. "O PT precisa atuar mais no interior e mostrar que muito do que lá é feito é graças a nós."

Atuação

ENIO TATTO

DEPUTADO, LÍDER DO PT

"Se não estivéssemos na Mesa Diretora, não teríamos o poder de prorrogar as discussões (sobre a criação da Região Metropolitana)"

JOÃO PAULO RILLO

LÍDER DA OPOSIÇÃO

"Precisamos ampliar nossa capilaridade"

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