Suicídios aumentam e governo cria serviço de apoio

Preocupado com o aumento do número de suicídios na maioria dos Estados do País, o governo federal decidiu criar um serviço nacional gratuito de apoio, a partir de um convênio do Ministério da Saúde com o Centro de Valorização da Vida (CVV) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela coordenadora da Assessoria Técnica de Trauma e Violência do Ministério, Cláudia Araújo dos Santos, durante o seminário "Epidemia da Violência: Informação para a ação", organizado pelo Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser) e o governo do Rio."O número de suicídios tem aumentado, por isso buscamos esta parceria com o CVV, que agora terá o número de postos duplicado e mais voluntários. Até o fim do ano, haverá um número de prefixo 0300 para acesso gratuito de qualquer lugar do País", declarou Cláudia.O último dado disponível sobre o tema é de 1997, quando foram notificados 6.920 suicídios no Brasil.A informação é do professor Guilherme Werneck, do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Medicina Legal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que apresentou o estudo, no mesmo seminário.Segundo ele, estima-se que o suicídio seja a oitava causa da morte entre jovens de 15 a 29 anos. "Números dos centros de saúde mostram que, de 1980 a 1997, houve aumento do número de casos de suicídio em quase todos os Estados do País", disse o professor.Werneck explica que é difícil trabalhar com o tema no Brasil, por causa da falta de números, estudos e pesquisas. "São poucos os trabalhos que abordam o tema", disse ele, citando um deles, feito com base em registros de hospitais públicos do Rio.Este trabalho mostrou que dois terços dos 373 casos de intoxicação por chumbinho ocorridas em 1997 foram tentativas de suicídio."Estima-se que pelo menos um terço dos casos de tentativa de suicídio caiam em registros de intoxicação, quedas ou atropelamentos".O professor citou estudos feitos nos Estados Unidos, mostrando que cerca de 50% dos adolescentes pensaram alguma vez em suicídio e que 15% deles tentaram se matar alguma vez na vida."É preciso descaracterizar a imagem de que o suicida é alguém que quer morrer, quando na maioria das vezes é alguém que está pedindo ajuda", diz Werneck.Ele também citou o problema do estigma que muitas vezes marca o suicida. "Além do impacto na família e do julgamento social, o indivíduo fica marcado como alguém que não tem coragem de viver."Segundo o professor, estudos indicam que, em média, antes de cometer um suicídio a pessoa tenha tido cinco tentativas frustradas.

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