Suíço vivia risco e morreu a passeio

Cientista político já atuara em zonas de guerra e liderara missões da ONU na Bósnia e no Kosovo

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

Ronald Dreyer já havia trabalho em zonas de guerra nos Bálcãs e na África, sobrevivendo a situações de risco e liderando missões de paz da ONU. Por ironia, contudo, esse suíço de 59 anos era um dos passageiros do voo AF 447 da Air France, que não completou o trajeto entre o Rio e Paris. Ele estava no Brasil a passeio.Cientista político, Dreyer era funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Suíça e responsável pelos temas relacionados com a violência armada. Ocupava um posto-chave na missão do país na ONU. Ele já havia participado de missões de paz em Angola, Moçambique e El Salvador. Entre 1996 e 2002, trabalhou como diretor regional da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) na Bósnia, além de atuar no Kosovo. Trabalhou ainda para a ONU em regiões das mais instáveis do mundo.Em recente artigo, o suíço explicou por que tinha optado por ir para alguns dos lugares mais perigosos do planeta. "O trabalho pela paz num ambiente internacional compensa o suposto luxo de que desfrutaríamos se ficássemos todos na segura Suíça", escreveu Dreyer. NOMESO governo suíço continua se recusando a confirmar os nomes das vítimas do voo AF 447. "Entre os 216 passageiros do avião da Air France, acidentado na noite de domingo, encontravam-se também seis cidadãos suíços", limita-se a dizer o governo, em nota. Ontem, a ONU fez um minuto de silêncio antes do começo de seus trabalhos em homenagem às vítimas do voo da Air France. Outro suíço já identificado é o neurocirurgião Christophe Paus. Com apenas 32 anos, era um dos mais jovens chefes adjuntos do Hospital Universitário de Lausanne.Apesar de não divulgar os nomes dos envolvidos no acidente, o governo suíço iniciou a coleta de amostras de DNA de parentes para que as vítimas possam ser eventualmente identificadas.

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