Wilton Junior/Estadão
Mapeamento digital da comunidade da Rocinha vai facilitar intervenções como uma eventual instalação de escada rolante  Wilton Junior/Estadão

Summit Mobilidade: Dados alteram planejamento

Para professor do MIT, chegou o momento de entender melhor as cidades com o uso de informações digitais

Leonardo Pessoa, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

28 de maio de 2021 | 05h00

Um antigo sonho dos arquitetos e planejadores urbanos parece ter sido realizado. É o que diz Carlo Ratti, professor de Planejamento e Tecnologias Urbanas e diretor do Senseable City Lab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que participou do último dia do Summit Mobilidade Urbana 2021. Com a alternativa de mapear a cidade física e o movimento humano, com base no uso de sistemas e celulares, ele afirma ser possível ver como os espaços estão sendo utilizados e quantificar melhor as mudanças.

“O dia de entender melhor as cidades chegou”, comemora. “Graças aos dados, o planejamento urbano pode ser feito de modo diferente, explica Ratti.”

O urbanista italiano – que trabalha em dois projetos no Brasil neste momento – acredita que o modelo monofuncional de planejamento das cidades, nascido na década de 1930, e copiado por metrópoles como Brasília, já não funciona mais. A tendência, segundo ele, é “criar áreas com diferentes funções sociais coexistindo”, utilizando melhor esses espaços multifuncionais, com tecnologia e sustentabilidade.

Sobreposição

“Cada setor tinha sua função e hoje isso está mudando. Temos a sobreposição de diferentes funções, fazendo com que tudo tenha mais dinâmica e flexibilidade”, diz ele. Com base em uma análise de dados produzida no câmpus do MIT durante a pandemia, que mapeou a movimentação na universidade, em diferentes horários e dias da semana, revelando como os espaços são utilizados, Ratti diz que a ausência de interações nos espaços físicos está desenvolvendo vínculos mais fracos e vulneráveis. E isso, na sua visão, impede a construção de uma rede de experiências e referências diversas. “É como se fosse um cérebro se atrofiando”, afirma.

Ao questionar se será possível trabalhar no modelo remoto para sempre, ele mesmo responde que “nossos escritórios ainda continuam tendo um papel importante porque são físicos, onde criamos vínculos, e isso não acontece no espaço digital como Zoom, Teams ou diferentes plataformas”.

Favelas 4D

Elegendo sempre as pessoas como prioridade para transformar as cidades em lugares mais sensíveis, Ratti vem participando do Favelas 4D, um projeto de mapeamento digital das favelas cariocas, iniciado pela Rocinha. Por meio dessa iniciativa, de acordo com ele, será possível ajudar os moradores na atribuição de títulos de propriedade, facilitar intervenções, como estudos a respeito da instalação de escadas rolantes, entre outras melhorias.

Além disso, ele também ajuda a cidade de Brasília na criação de um novo bairro planejado de uso misto, chamado Biotic, com previsão de abrigar universidades, residências, empresas, comércios e espaços públicos para que as pessoas possam viver, trabalhar e se divertir sem precisar se deslocar. 

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