Werther Santana/Estadão
Na capital de São Paulo a redução de velocidade é ainda maior Werther Santana/Estadão

Summit Mobilidade: Olhar o mais fraco permite ver a hostilidade urbana

Mesmo com redução de velocidade, presidente do IST ainda aponta descaso com segurança de motociclistas pelo País

Milena Tomaz, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

28 de maio de 2021 | 05h00

O prefeito de Fortaleza, José Sarto, diz que somente com a redução de 60km/h para 50km/h da velocidade em ruas da cidade, o número de vítimas em acidentes caiu 21%. Em São Paulo, a Prefeitura da capital também anunciou a diminuição do limite de velocidade de 24 ruas e avenidas de 50 km/h para 40 km/h, seguindo uma tendência mundial de favorecer pedestres e ciclistas – o traffic calming. “Estamos na condição de ampliar e melhorar as condições de áreas calmas em vários subcentros no território da cidade de São Paulo”, afirma o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Levi dos Santos Oliveira.

Embora iniciativas de redução de velocidade sejam cada vez mais comuns, o professor da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito (IST) David Duarte Lima diz que as cidades brasileiras ainda são hostis com idosos, prejudicam a circulação de crianças e colaboram com os acidentes que envolvem motociclistas. Para ele, os governos federal, estaduais e municipais têm feito quase nada a respeito de segurança de motociclistas. “Para se ter uma ideia, 78% das indenizações pagas às pessoas por invalidez permanente pelo DPVAT são de motociclistas”, afirma. Um quadro que tende a piorar, segundo alega, uma vez que os serviços de entrega são realizados, em sua maioria, por meio de motocicletas.

O diretor Comercial da Honda Motors, Alexandre Cury, também participante do painel sobre Segurança, destacou mudanças na fabricação desse tipo de veículo. “Seguimos as melhores práticas em termos de normas construtivas, principalmente nos sistemas de freios.”

Professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Jorge Tiago Bastos acredita que a criação de uma lei que obrigue a inspeção de motocicletas pode ajudar a diminuir os acidentes, embora não seja a solução para todos os problemas de segurança, por se tratar apenas do veículo e não levar em consideração outros fatores, como as pessoas e a infraestrutura.

Em relação a veículos de quatro rodas, as inovações em segurança no Brasil incluem, segundo o gerente de Marketing das divisões Chassis Systems Control e Cross-Domain Computer Solutions da Robert Bosch, Michel Braghetto, tecnologias de assistência ao condutor. Entre elas há a frenagem automática de emergência, que pode diminuir em até 72% as colisões traseiras, e o assistente de permanência em faixa, que pode evitar até 20% dos acidentes que acontecem por saída não intencional da marca de delimitação.

Metrô

No transporte público, até o celular pode ser causa de acidente. “Para se ter uma ideia, em 2019 e 2020 tivemos em torno de 550 acidentes envolvendo pessoas circulando com celulares e quase 9 mil atendimentos, que são de pessoas que caem e acabam se machucando”, conta o diretor-presidente da ViaQuatro e ViaMobilidade, Francisco Pierrini.

Para o presidente do IST, uma maneira de melhorar a segurança de todos no trânsito é, juntamente com a redução da velocidade, colocar em prática o artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que coloca os veículos maiores como responsáveis pela segurança dos menores.

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