Divulgação/Summit Mobilidade Urbana 2021
Haydée Svab, pesquisadora em Mobilidade Urbana e Cidades Inteligentes, alerta sobre vulnerabilidade de gênero Divulgação/Summit Mobilidade Urbana 2021

Summit Mobilidade: Quando ser mulher também dificulta para sair de casa

Questões de gênero influenciam na mobilidade, sobretudo nas periferias, como mostrou a crise da covid

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2021 | 05h00

O agravamento da situação socioeconômica das mulheres causado pela pandemia nas regiões periféricas colocou em evidência que as questões de gênero são determinantes para a vulnerabilidade social e influenciam na mobilidade. “Tarefas atribuídas às mulheres (cuidado e família) se intensificaram e elas têm padrões de mobilidade diferentes”, afirma Haydée Svab, pesquisadora em mobilidade urbana e cidades inteligentes. Ela foi uma das participantes do painel Desigualdades Territorial/Social, realizado no dia 9. Segundo ela, com o aumento do desemprego, um grande número de mulheres perdeu renda, não consegue mais pagar deslocamentos no transporte e deixa de acessar outros direitos como saúde e educação. “Ficou mais restrito ainda.”

Ao pensar em uma cidade acessível e menos desigual, Haydée fala da necessidade de um planejamento urbano combinado às políticas de transporte, territoriais, habitacionais, de saúde e educação. “Não se resolve problemas de transporte, de mobilidade, só com transporte”, diz. Além disso, ela alerta para a falta de diversidade do setor. “Como as políticas inclusivas vão dar conta da diversidade de pessoas, se quem faz ou trabalha é só de um determinado grupo social”, questiona.

“Na América Latina, o número de mulheres não passa de 17,5% nas decisões sobre mobilidade urbana”, acrescenta ela. Segundo a vereadora carioca Tainá de Paula (PT), o que era precário antes da pandemia ficou pior, associado a “bolsões de pobreza de trabalhadores informais, domínio das milícias na periferia, falta de qualificação, baixa escolaridade”.

E é importante notar uma outra necessidade, quando se fala em gênero. “A percepção de segurança no espaço público é diferente para as mulheres. Enquanto os homens temem mais o roubo, elas receiam a importunação ou assédio sexual no transporte e nas ruas”, complementa Haydée. Nesse sentido, ela ressalta a importância de se pensar na iluminação das vias e na segurança dentro e fora do transporte público.

Com mais de 20 milhões de usuários e 23% de casos de assédio sexual por semana, a 99, empresa de tecnologia em mobilidade urbana, acaba de lançar um guia da comunidade para impedir novos casos. Pâmela Vaiano, diretora de comunicação e responsabilidade social, conta que 730 pessoas são banidas semanalmente, sejam motoristas ou passageiros, por assédio.

Micromobilidade

Com uma frota de 33 milhões de bicicletas no País, o modal poderia ser mais estimulado, defendeu no evento a fundadora e pesquisadora da Multiplicidade Mobilidade Urbana, Glaucia Pereira. “Elas podem ser usadas para integrar com o transporte coletivo”, diz. O que falta, segundo Mariana Almeida, superintendente da Fundação Tide Setubal, “é uma estruturação de como fazer essa integração de uma maneira mais adequada”.

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