Superlotação provoca fuga de 27 em cadeia de Curitiba

Local tem capacidade para 40 presos, mas mantinha 148; delegado diz que fugitivos são de 'pouca periculosidade'

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 15h28

A precariedade da carceragem e a superlotação do 11.º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba, provocaram a fuga de 27 detentos na manhã desta quinta-feira, 23. Até a tarde, apenas dois tinham sido recapturados. Em entrevista coletiva, o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Jorge Azor Pinto, procurou destacar o trabalho policial. "A produção de presos é fruto do trabalho da polícia", afirmou. "Nunca se prendeu tanto." Segundo ele, em Curitiba, são presas, em média, 50 pessoas por semana.

 

No momento da fuga, a carceragem estava com 148 presos, quando a capacidade ideal é de apenas 40. Além disso, desde o início do ano, quando houve uma rebelião, as portas que separam as oito celas foram arrancadas e não mais colocadas, permitindo que os presos circulem livremente. Os três investigadores de plantão e os três auxiliares de carceragem perceberam a fuga por volta das 6h30 e tiveram tempo de impedir que outros conseguissem sair.

 

Um inquérito administrativo deve apurar as circunstâncias da fuga, mas a hipótese mais provável é que uma serra tenha escapado da vigilância, escondida em meio a alimentos levados pelos familiares dos presos. Eles conseguiram serrar os ferros colocados no sistema de ventilação próximo ao banheiro e abriram um buraco no teto da delegacia, permitindo acesso livre ao exterior. Para descer ao chão improvisaram uma espécie de corda com tecidos.

 

De acordo com a polícia, a maioria dos presos que escaparam responde por crimes de tráfico de drogas, roubo ou furto. "São de pouca periculosidade", garantiu Pinto. Desde o ano passado, foram feitas várias críticas em relação ao 11º DP. A morte de um preso que apresentava problemas de diarreia, vômito e febre levou até mesmo à interdição pela Vigilância Sanitária. Mesmo com melhorias no sistema de ventilação, os presos fizeram uma rebelião em janeiro, resultando em um morto.

 

A intenção da Secretaria da Segurança Pública era fechar toda a carceragem para uma reforma. No entanto, como não conseguiu a transferência dos presos a reforma foi adiada. O delegado-geral acentuou que há necessidade de um "fluxo mais constante" no regime de progressão do sistema penitenciário, o que ajudaria a tirar presos condenados das cadeias. Além disso, a expectativa é que o governo construa 61 celas modulares, cada uma para 12 presos. A princípio, deveriam estar prontas este mês. Mas o delegado-geral alegou que questões climáticas atrapalharam as obras que não têm mais prazo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.