Superlotado, IML de Teresópolis entra em colapso

Um contâiner frigorífico está sendo improvisado para abrigar corpos; um galpão onde já funcionou uma igreja evangélica foi utilizado durante a madrugada

Marcelo Auler, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2011 | 19h17

TERESÓPOLIS - Estruturado para receber de 15 a 20 corpos por mês, o Instituto Médico Legal de Teresópolis entrou em colapso com a chegada de 175 corpos retirados de escombros (até as 18 horas desta quinta-feira, 13). A prefeitura teve de improvisar: comprou um container frigorífico para abrigar os corpos.

 

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A situação era tão dramática que pela manhã, depois de uma noite sem dormir, o juiz José Ricardo Ferreira de Aguiar, da Vara de Família, chegou a dizer, ironicamente: "Prometo dar nome de rua a quem me arranjar uma câmara frigorífica". Àquela altura, ele já tinha buscado ajuda em diversos órgãos oficiais - sem encontrar uma solução.

 

À tarde, um caminhão frigorífico da Bom Jesus Comércio e Industria de Pescado chegou a estacionar em frente à delegacia onde funciona o IML. Mas chegou um alerta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária dando conta de que o uso do veículo para armazenamento de cadáveres o inutilizaria no futuro para transportar pescados. O ouvidor-geral da prefeitura, Ricardo Raposo, anunciou depois a compra do container, que será doado ao IML futuramente.

 

Um galpão onde já funcionou uma igreja evangélica, que fica em frente à delegacia, havia sido usado para abrigar os corpos de madrugada, graças à intervenção do juiz - até então, as vítimas estavam amontoadas no pequeno pátio da delegacia. Foi neste galpão que as famílias passaram a identificá-los.

 

O mesmo juiz, em nome da agilidade da liberação dos corpos para evitar que apodrecessem, simplificou os procedimentos burocráticos: concedeu alvarás para o enterro das pessoas que tivessem sido reconhecidas pelas famílias mesmo sem que fosse apresentada o documento de identidade - até porque a maioria das vítimas perdeu todos os documentos na enchente.

 

A Prefeitura de Teresópolis estava ajudando as famílias mais pobres. Algumas delas, como a de Andréia Ferreira de Campos, que perdeu nove parentes, inclusive o filho. Os funerais foram pagos pelo município, que disponibilizou 50 caixões pela manhã e providenciou a abertura de cerca de 180 covas rasas no cemitério municipal Carlinda Berlinda.

 

No ginásio de esportes Pedrão, no centro da cidade, e em cinco igrejas, três escolas do interior e no galpão de uma cervejaria, no bairro do Meudon, no final da tarde de ontem já estavam alojadas 1.200 pessoas. Elas perderam tudo com as chuvas e não tinham casas de amigos e parentes para se abrigar.

 

Outras 1.300 desalojadas conseguiram por meios próprios se acomodar. As buscas por possíveis corpos continuavam acontecendo nos bairros mais castigados, como a região de Campo Grande, no bairro de Posse, e na área rural, em especial nos distritos de Bonsucesso e Vieira.

 

A prefeitura vem recebendo ajuda de outras cidades. Até do interior de São Paulo houve oferta de doações. Uma conta foi aberta no Banco do Brasil - SOS Teresópolis ag. 07412 C/c 11.0000-9 - para doações de pessoas físicas e jurídicas. A conta será administrada pela Secretaria de Desenvolvimento Social. Houve ajuda como a de uma fábrica de sardinhas em conservas, que fez chegar à cidade 12 mil latas de sardinhas, e da Piraquê, que doou dois caminhões com biscoitos.

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