SuperVia demite agentes por ''chicotadas''

Eles contiveram com violência grupo em trem cheio por causa de greve

Clarissa Thomé, Talita Figueiredo e Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

Agentes de controle da SuperVia, a concessionária de trens do Estado do Rio, agrediram com socos e pontapés e improvisaram chicotes contra passageiros que estavam na estação de Madureira, na zona norte da cidade. Os funcionários tentavam manter fechadas as portas da composição, lotada por conta da greve dos ferroviários - que continua. De coletes vermelhos, eles avançaram sobre os passageiros, distribuindo golpes aleatoriamente. Um policial militar assistiu ao confronto, sem intervir.As agressões foram filmadas pela Rede Globo, às 6h40. De acordo com a SuperVia, os funcionários utilizaram a guia do apito, feita de náilon, para agredir os passageiros. Quatro foram demitidos. Três rapazes, que registraram queixa na 29.ª Delegacia de Polícia (Madureira), contaram ainda que apanharam com um tipo de lona. A SuperVia informou que repudia os atos dos agentes, funcionários de uma prestadora de serviços, e ressaltou que a atitude viola o código de ética e conduta da empresa. Mas faz uma ressalva. "Ainda que as transgressões não justifiquem os excessos dos agentes, fica claro que, como mostraram as imagens da TV Globo, a situação era de descontrole." Depois das agressões, a TV ainda filmou passageiros "surfando" sobre o trem, que circulou com as portas abertas. Três foram detidos. Um homem também aparece acionando o extintor de incêndio do último vagão.Segundo a concessionária, a confusão começou depois que PMs retiraram um dos surfistas ferroviários do alto do trem. Os três passageiros que prestaram queixa negaram. O caso foi registrado como lesão corporal e pode render pena de 1 a 3 anos de prisão para os agentes. O delegado Franco Albano, da Delegacia de Madureira, informou que vai requisitar as imagens da TV e do circuito interno da SuperVia, além das identidades e fotografias dos funcionários. "Foi repugnante o que fizeram com esses trabalhadores."O Ministério Público Estadual também vai apurar as agressões. De acordo com o promotor Júlio Machado, da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor, já existe um procedimento aberto para apurar o mau funcionamento das portas dos trens. REPERCUSSÃOEm nota, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio (OAB-RJ), Wadih Damous, repudiou as agressões "perpetradas por agentes da SuperVia contra trabalhadores, mulheres, crianças e idosos". "Eram pessoas humildes que tentavam chegar ao trabalho, num dia em que o transporte era precário."O secretário de Transportes, Julio Lopes, também condenou a violência dos agentes e determinou a demissão deles, a pedido do governador Sérgio Cabral. A ação, segundo ele, foi "desumana e inaceitável". Lopes, porém, admitiu os problemas de superlotação no sistema de trens. Segundo o secretário, nos últimos 20 anos o Estado comprou apenas 20 trens. "Nos últimos dois anos e meio, compramos mais 30 e reformamos 8 para terem ar-condicionado. Temos feito um esforço sobre-humano para mudar essa situação", afirmou.A concessão para a SuperVia se restringe apenas à operação dos trens (patrimônio do Estado). Segundo o secretário, novos trens só devem ser entregues em 18 meses. Lopes informou que só 20 composições mais modernas, das 168 em uso, têm um sistema que permite ao maquinista saber que as portas estão abertas. "Eles são orientados a diminuir a velocidade ao máximo para garantir a segurança."

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