Supervia nega falta de manutenção das linhas

Concessionária do Rio diz que isso não causou choque e garante que reduziu índice de falhas

Clarissa Thomé e Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

O presidente da Supervia, concessionária que administra a malha ferroviária do Rio, Amin Alves Murad, descartou ontem que a falta de manutenção dos trilhos da companhia poderia ter sido a causa do acidente de anteontem, que matou 8 pessoas e feriu outras 101 em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A declaração foi uma resposta às críticas feitas pelo Sindicato dos Ferroviários, que acusou a empresa de ser negligente com a conservação das linhas. "É infundado o que eles (sindicato) falam. Nossos indicadores demonstram melhora nos serviços. Isso é comprovado pela diminuição do número de falhas por ano", disse Murad. O presidente do sindicato, Valmir Lemos, acusa a Supervia de usar apenas dois parafusos para fixação dos dormentes ao em vez de quatro, o que garantiria mais segurança. A entidade já fez denúncias sobre a suposta má conservação da malha férrea. Três delas foram aceitas pelo Ministério Público e deram início a dois inquéritos civis públicos. Segundo Murad, a empresa está dentro dos padrões internacionais aceitos para falhas em seu sistema de tráfego. Ele disse que, neste ano, já foram registradas 1.800 falhas, desde um farol apagado até o descarrilamento de um vagão. No ano passado, foram 6 mil falhas - metade das de 2005. A média internacional é de três mil falhas por ano. O executivo informou ainda que a Supervia vai investir R$ 50 milhões este ano na modernização das linhas. Murad afirmou que a comissão de técnicos da Supervia formada para investigar o acidente de anteontem já está analisando os sistemas de registros, como as caixas-pretas, dos trens que colidiram. "Em dez dias teremos a conclusão sobre o que provocou o acidente." O presidente da Supervia descartou a hipótese de erro dos maquinistas. Segundo o diretor operacional da empresa, João Gouveia, "o maquinista simplesmente acelera e freia o trem, mas quem dá o direcionamento é o operador". O governador Sérgio Cabral (PMDB) descartou a possibilidade de a Supervia perder a concessão ferroviária. Para ele, não se pode tratá-la como "Judas". Cabral disse que, se for comprovada a culpa da Supervia no acidente, o governo tomará "medidas legais cabíveis", sem, no entanto, especificá-las. CPI O Sindicato dos Ferroviários defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa do Rio para apurar o acidente. A Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transporte (Agetransp) abriu procedimento para investigar o choque dos trens.

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