Suplente é suspeito do assassinato de deputado no Rio

O principal suspeito do assassinato do deputado federal e deputado estadual eleito pelo Partido Social Liberal (PSL), Valdeci de Jesus, é o seu suplente, o policial militar Marcos Abrahão, segundo o representante da Câmara dos Deputados para acompanhar as investigações, deputado federal Alexandre Santos (PSDB-RJ). "Há indícios muito violentos nessa linha", afirmou Santos, quando questionado se há suspeitas de que o assassino seria o suplente para ficar com a vaga de deputado para a qual o também pastor da Igreja Universal do Reino foi eleito.Sem citar nomes, o presidente regional do PL no Rio, deputado federal Bispo Rodrigues, amigo de Valdeci, disse que "tudo indica que há grupos de extermínio no Rio composto por policiais e ex-policiais que estão por trás deste e de outros crimes". Em seguida, afirmou que "são pessoas que querem chegar à política para fazer maldades, mas não vão conseguir". Santos disse depois que "na política não há lugar para elementos dessa natureza".Rodrigues informou que contou à polícia sobre a conversa que teve com Valdeci na quinta-feira, em que o parlamentar disse o que sentia e lhe deu o nome de quem o ameaçava. Valdeci foi morto no dia seguinte. "A pessoa tem nome, endereço e tudo o mais", disse o bispo, ressalvando que não ia divulgar o nome por orientação da polícia. "Agora sou eu a bola da vez. Se acontecer alguma coisa comigo, foi essa pessoa que eu falei o nome para a polícia", disse o presidente regional do PL no Cemitério de Inhaúma, logo após o enterro do amigo.Cercado por seguranças e dizendo que "político no Rio tem que andar com colete à prova de bala", Bispo Rodrigues defendeu que se peça ao Ministério da Justiça uma força-tarefa com policiais de fora do Rio para as investigações. Justificou acusando, mais uma vez, que há participação de policiais na morte de Valdeci. A Polícia Federal já está no caso, afirmou Santos, também presente no enterro. Mesmo assim uma força-tarefa, com representantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo, será proposta pelo representante da Câmara em reunião na segunda-feira no Ministério da Justiça em Brasília. De acordo com ele, os crimes políticos atingem também outros partidos. Santos observou que na madrugada de sexta para sábado, o prefeito de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino, do Partido Verde, sofreu uma tentativa de assassinato. "No mesma cidade foi morto um vereador do PMDB recentemente", disse. Também presente ao enterro, a deputada federal Laura Carneiro (PFL-RJ) disse que vai pedir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar crimes políticos, que não ocorrem só no Rio. A parlamentar lembrou o assassinato da deputada eleita Ceci Cunha (PSDB-AL), em dezembro de 1998, também morta antes de assumir. Na época, o seu suplente Talvane Albuquerque foi apontado pela Polícia Federal como mandante do crime, para ficar com a vaga de deputado, mas a Câmara cassou seu mandato por quebra de decoro parlamentar.

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