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Suplicy aceita negociação se for para "salvar vidas inocentes"

O senador Eduardo Suplicy (PT) evitou condenar a suposta negociação entre representantes do governo do Estado de São Paulo e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). "De um lado, pode ser absurdo um diálogo com um criminoso. Mas há certas circunstâncias em que, se a autoridade avaliar que deve negociar e não fizer concessões abusivas, eu não condenaria de antemão - se fosse para salvar vidas inocentes, por exemplo."Ele lembrou a morte em 2003 do diplomata Sérgio Vieira de Mello, que comandava as operações da Organização das Nações Unidas (ONU) no Iraque. "Se fosse para salvar o Sérgio Vieira de Mello, eu conversaria com as pessoas envolvidas nas práticas do terror." Ele também conversaria com os responsáveis pelo seqüestro do engenheiro brasileiro João Vasconcellos Júnior, desaparecido há mais de um ano no Iraque. "Acho que a autoridade brasileira, se puder contribuir, deveria dialogar."CampanhaIndependentemente do que vier a ocorrer nos próximos meses, os partidos políticos já se preparam para tratar a questão de segurança pública como prioridade de campanha. "É um tema forte", observou o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), que será coordenador da campanha à reeleição do presidente Lula. "As pesquisas mostram que as prioridades dos cidadãos são, pela ordem, geração de emprego, segurança pública e saúde", completou João Carlos Meirelles, coordenador do programa de governo de Geraldo Alckmin (PSDB). "Falta ao Brasil uma política nacional, proposta por Lula em 2002 e nunca cumprida."A senadora Heloisa Helena, candidata do P-SOL, disse que usará seus programas eleitorais para mostrar como os governos de PSDB, PFL e PT agiram errado em relação à segurança. "É preciso ter investimentos na área social, na segurança e no aparelhamento do Estado. Caso contrário, não teremos condições de combater o crime organizado", disse Heloisa. "No governo atual, liberou-se pouco mais de 1% das verbas para segurança no Orçamento da União. É absurdo."Já o candidato do PDT, senador Cristovam Buarque, considera que é preciso dar educação à população para que os ataques do crime não se repitam. "Por enquanto são criminosos que vêm cometendo atos. Mas o que vai acontecer quando os desesperados se revoltarem e resolverem descer para as ruas?"Para ele, o problema começou "na descoberta do Brasil". "Tomaram a terra dos índios. Depois, fomos governados por pessoas que seqüestraram mais de 4,7 milhões de escravos na África. Com a Lei Áurea, ninguém se preocupou em dar educação para os filhos dos ex-escravos."

Agencia Estado,

16 de maio de 2006 | 22h03

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