Suposta vítima de sequestro é morta por PMs

Familiares de Ronyvon Pereira Rodrigues acusam polícia de executá-lo e de ferir seu amigo

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2009 | 00h00

Um inquérito na Polícia Civil e outro na Polícia Militar foram abertos para apurar as circunstâncias em que morreu o comerciante Ronyvon Pereira Rodrigues, de 32 anos, e deixou ferido o porteiro David Almeida dos Santos, de 23. Parentes dos rapazes afirmam que ambos ocupavam um Vectra na madrugada de sábado, na zona oeste, quando foram abordados por três assaltantes, sofreram sequestro relâmpago e acabaram baleados durante perseguição policial. Já os PMs alegam que os cinco homens estavam armados e resistiram à prisão.O episódio aconteceu às 4 horas de sábado, na Rua Antonio Ayrosa, na Vila Jaguara. Os PMs Nivaldo Félix de Farias, Talisdaltro Manoel da Silva Liebana e Paulo de Souza Scatolin, da Força Tática do 4º Batalhão, disseram no 33º DP (Pirituba) que patrulhavam a Avenida Imperatriz Leopoldina, quando viram cinco homens entrando rapidamente no Vectra.Segundo os PMs, o motorista não obedeceu ao sinal de parada e aumentou a velocidade, no sentido da Avenida Gastão Vidigal. Os PMs afirmaram ainda que o carro seguiu em direção à Ponte dos Remédios, mas bateu na guia e teve um dos pneus estourado. Depois, entrou na Rua Antonio Ayrosa, onde bateu em outra guia e estourou mais um pneu.Ainda de acordo com a versão dos PMs, dois homens desceram do carro e atiraram contra os policiais.Um era o motorista e outro o do banco do carona. Ambos fugiram. Os PMs alegaram que os três ocupantes do banco de trás também dispararam. No revide, eles foram baleados. Ronyvon e o assaltante Evanildo Silva Nascimento morreram no Hospital da Lapa. Evanildo tinha passagem pela polícia por roubo. David foi levado ao PS Ayrosa e depois transferido para Osasco.Até o início da noite de ontem, o porteiro continuava em coma, na UTI. Os PMs disseram que os três ocupantes do Vectra dispararam. Segundo a Polícia Civil, no carro foram encontrados dois revólveres 38. O delegado João Batista Filogonio apreendeu três pistolas .40 e submetralhadora dos PMs.Parentes de Ronyvon e de David estão revoltados com a ação policial. Nenhum dos dois rapazes tinha antecedente criminal. O comerciante era dono de um bar-restaurante na Avenida Schilling, na Vila Hamburguesa, zona oeste. Neuzi Rodrigues Pereira Trindade, de 42 anos, contou que seu irmão era trabalhador, caseiro e só pensava em criar e educar os três filhos, de 4, 6 e 8 anos. Neuzi acrescentou que Ronyvon trabalhava à noite, servia jantar aos clientes e tinha o hábito de fechar o bar por volta de 1 hora. Depois, levava algum amigo em casa. "Foi isso que ele fez. E acabou morto por PMs despreparados", desabafou.A morte de Ronyvon revoltou comerciantes e trabalhadores da Vila Hamburguesa. "Ele sempre foi honesto e sempre se preocupou com a família. Eu o conhecia há quatro anos. Ele era um batalhador", lamentou o administrador Sebastião Paiva Filho, de 46 anos. O serralheiro Wellingon Roberto Nunes, de 43, era amigo de Ronyvon há 16 anos. "Me lembro quando ele chegou da Bahia. Trabalhou muito para ter o restaurante. A PM inventou essa versão para encobrir o erro que cometeu", disse Paiva Filho. David é porteiro e tem planos de montar uma lanchonete. O Vectra era de Ronyvon.

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