Suposto elo com tráfico reflete na colocação da Mangueira

Escola amargou pior colocação dos últimos 14 anos; homenagem a Fernandinho Beira-Mar pode ter contribuído

Clarissa Thomé, de O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2008 | 20h01

Polícia na quadra da escola, passagem secreta para o tráfico, homenagem a Fernandinho Beira-Mar. O pré-carnaval conturbado se refletiu no desfile da escola e a Estação Primeira de Mangueira amargou o décimo lugar, a sua pior colocação dos últimos 14 anos.   Veja Também:   Confira a pontuação das escolas em cada quesito Melhores momentos do desfile da Beija-Flor Veja todas as fotos do carnaval pelo Brasil e pelo mundo Tudo sobre as escolas do Rio e os sambas  Mangueira e Viradouro empolgam a Sapucaí no 1º dia Saiba como foram os desfiles no Rio no primeiro dia Veja as melhores imagens dos desfiles em SP As melhores imagens do Carnaval pelo Brasil    Veja a comemoração do carnaval pelo mundo      A escola teve poucas notas 10. Somente o casal de mestre-sala e porta-bandeira Marquinhos e Giovana mereceram a pontuação máxima. A bateria de Mestre Taranta também não se saiu mal - recebeu um 9,9 e três 10. Taranta assumiu o posto depois que Ivo Meirelles foi afastado do cargo, sob a suspeita de facilitar o acesso de traficantes ao camarote da bateria na quadra. Taranta mudou tudo. Suspendeu até as paradinhas. Mesmo assim, ritmistas reverenciaram Meirelles, que assitia ao desfile no camarote de uma cervejaria.   Além disso, havia o boato de que a Polícia Civil prenderia um dos integrantes da bateria na dispersão, o que não ocorreu.   A escola foi penalizada nos quesitos harmonia (10 / 9,4 / 9,8 / 9,9), evolução (10 e três 9,8) e conjunto (dois 9,7 e dois 9,8) - o que demonstra o quanto a Mangueira desfilou dividida, sem a união que era uma das marcas da escola.   O samba também não foi do agrado dos jurados. Assinado, entre outros, por Francisco do Pagode, pseudônimo do traficante Francisco PauloTestas Monteiro, o samba sobre o centenário do frevo recebeu apenas uma nota 10. Foram dois 9,9 e um 9,7. Foi considerado o segundo pior samba-enredo deste carnaval, atrás apenas da Vila Isabel.   Os jurados foram injustos ao darem dois 9,9 e um 9,7 para a comissão de frente, formada por 15 adolescentes de Recife. Eles dançaram o tempo todo, numa bonita coreografia. "Eu vim na contramão da história, com uma comissão de frente simples. Eu não entendo. Nenhuma comissão dançou como a nossa. Não teve teatralização. A gente não errou", reagiu o coreógrafo Carlinhos de Jesus.   A presidente da Mangueira, Eli Gonçalves, a Chininha, assumiu a dois meses do carnaval. O ex-presidente Persival Pires renunciou depois de ter homenageado, em nome da escola, o traficante Fenandinho Beira-Mar. Chininha acompanhou a apuração dos desfiles com tranqüilidade. Assim que percebeu que a escola não teria chance de chegar ao campeonato, relaxou, apesar das notas baixas que vinham, uma após a outra. Ela manteve uma expressão resignada durante todo o tempo. O carnavalesco Max Lopes não foi ao Sambódromo.   Para Chininha, no entanto, a crise está ultrapassada. "A Mangueira deu a volta por cima. Está linda, frondosa e cheia de frutos". A conferir.

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