Supremo relaxa prisão do ex-jogador Rincón

Antigo ídolo de Corinthians, Palmeiras e Santos responderá em liberdade a pedido de extradição feito pelo Panamá, que apura ligação com traficante

Alexandra Penhalver, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2014 | 00h00

O Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu ontem habeas-corpus ao ex-jogador Freddy Rincón. Ele vai responder em liberdade ao pedido de extradição feito pelo Panamá, por suposto crime de lavagem de dinheiro com origem no tráfico de drogas internacional. Rincón, de 41 anos, estava preso desde o dia 10 de maio, na superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, por ordem do ministro Ricardo Lewandowski, do STF. O advogado de Rincón, Eduardo Nunes de Souza, afirmou que o jogador vai entregar o passaporte ao STF e permanecer em São Paulo. Ele só poderá deixar a cidade com autorização prévia e terá de atender a todas as chamadas judiciais. ''''Foi uma vitória. Agora o processo continua, mas vamos provar a inocência de Rincón no Panamá'''', afirmou. No Brasil, Rincón atuou no Corinthians, Palmeiras e Santos. ''''O governo da Colômbia acredita que Rincón é inocente e tem nos apoiado'''', disse Souza. Quando foi preso a pedido do governo do Panamá, Rincón tinha acabado de deixar o time do São Bento e se preparava para atuar como auxiliar do técnico da seleção da Colômbia. ''''Agora, ele vai retomar o trabalho de empresário em São Paulo.'''' Para Souza, o governo brasileiro apenas cumpriu um pedido do governo panamenho. ''''Agora aguardamos notícias do advogado que cuida da causa no Panamá.'''' Ele afirmou que, uma vez provada a inocência do ex-jogador, pedirá indenização ao governo do Panamá. ACUSAÇÃO Quando foi preso na sua casa em Perdizes, às 6h30 do dia 10 de maio, Rincón voltou a alegar inocência. Ele já era investigado quando o Panamá pediu sua prisão e extradição. Rincón é um dos sócios da Nautipesca - empresa que teve três barcos apreendidos no ano passado, no Canal do Panamá, pela Marinha dos Estados Unidos. Em um dos barcos foram encontrados 40 quilos de cocaína. Um dos principais alvos das investigações é o narcotraficante Pablo Rayo Montaño, preso no Brasil. Segundo o advogado de Rincón, o ex-jogador tem ações da Nautipesca, mas ''''nunca participou de atos da empresa''''. Em maio de 2006, a PF encontrou documentos na casa de Rincón ligando-o a Montaño. Em março, a Justiça da Colômbia confiscou cinco bens do ex-jogador naquele país. Na época, Rincón apenas disse à Interpol que foi procurado por Montaño, aqui no Brasil, para ser um dos sócios da empresa Nautipesca. Os ministros do STF discutiram a questão do habeas-corpus, pois não é comum concedê-lo em casos de extradição. Mas a maioria foi favorável à liberdade provisória. A defesa do ex-jogador alegou que a prisão preventiva era desnecessária, pois ele não ''''oferece perigo'''' ao processo. Segundo a Assessoria de Imprensa do STF, o ministro Gilmar Mendes afirmou que a jurisprudência do STF ''''é no sentido da prisão preventiva até o fim do julgamento dos pedidos de extradição, para garantir a entrega do extraditando ao Estado requerente''''. Em favor do habeas-corpus, ele ressaltou que, geralmente, os processos são demorados. E citou que o artigo 5º da Constituição, que dispõe sobre os direitos e garantias do cidadão, ''''não exclui os estrangeiros''''. FRASES Eduardo Nunes de Souza Advogado de Rincón ''''Foi uma vitória (o habeas-corpus). Agora, o processo continua, mas vamos provar a inocência de Rincón no Panamá'''' ''''Agora, aguardamos notícias do advogado que cuida da causa no Panamá'''' ''''O governo da Colômbia acredita que Rincón é inocente e tem nos apoiado''''

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