Suspeita de arrastão provoca pânico em Niterói; Cabral visita região

Manifestação de moradores espalhou confusão e comércio fechou; governador do Rio afirma que tragédia no Morro do Bumba foi 'catástrofe humana e ambiental'

Clarissa Thomé e Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2010 | 15h02

RIO - Uma manifestação de moradores do Morro do Estado, uma das áreas atingidas por desabamentos em Niterói, no Grande Rio, espalhou uma onda de pânico pela cidade nesta quinta-feira, 8. As pessoas acreditaram tratar-se de um arrastão. Lojas, agências bancárias, cursos de línguas, supermercados e restaurantes do Centro e de Icaraí, zona sul, fecharam durante a tarde.

 

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A manifestação ocorreu após uma reunião entre moradores da favela e a prefeitura. Pouco antes das 14 horas, um grupo desceu o morro e começou o protesto no Centro. De acordo com o comandante do 12.º Batalhão da PM, coronel Rui França, três rapazes aproveitaram o tumulto e assaltaram uma loja na Praça do Rink, no centro.

 

A partir daí, o boato de arrastão se espalhou, inclusive pelo Twitter. Duas lojas do Plaza Shopping, principal centro de compras da cidade, chegaram a fechar as portas. Assustados, clientes se reuniram na praça de alimentação. A segurança foi reforçada e as lojas reabriram.

 

Policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que atuavam no Morro do Bumba, onde 50 casas desabaram, passaram a patrulhar as ruas. A bancária Maíra de Moura, de 29 anos, saía de casa, na Rua Sete de Setembro, em Icaraí, quando foi abordada por PMs. "Eles estavam armados com fuzis e mandaram que eu voltasse para casa. Os carros vinham pela contramão pela Sete de Setembro e pela João Pessoa. Em pouco tempo as ruas ficaram vazias."

 

Foi uma reação em cadeia. A psicóloga Noemia Kraichete contou que foi avisada por telefone pelos clientes e também tentou avisá-los para que não saíssem às ruas. O Shopping Icaraí, onde trabalha, fechou.

 

A advogada Sylvia Guimarães, de 49 anos, almoçava na Rua Gavião Peixoto, também em Icaraí, quando pessoas passaram correndo e gritando que havia arrastão. "Tudo fechou. Na agência do banco Itaú ninguém entrava nem saía. As Lojas Americanas baixaram as portas. O restaurante em que eu estava deixou apenas a portinha de serviço aberta", contou. "Na verdade, o que houve demonstrou o preconceito da população, que se apavora ao ver negros e pobres reunidos."

 

'Catástrofe humana'

 

Também nesta tarde, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB) visitava a região. Ele referiu-se ao deslizamento no Morro do Bumba, em Niterói, como uma "catástrofe humana e ambiental". Ele fez as observações depois de visitar o local, onde 50 casas construídas sobre um lixão desativado desabaram na noite de ontem.

 

"Foi uma tragédia de dimensão brutal. Eu fiquei muito impressionado e as informações não são de boa perspectiva. A dimensão é de uma catástrofe humana e ambiental", declarou o governador.

 

Cabral anunciou que o governo federal disponibilizou R$ 200 milhões para o Estado, sendo que 90 milhões para o Rio e R$ 110 milhões para os demais municípios atingidos pelas chuvas. Ele disse ainda que priorizará as cidades de Niterói e São Gonçalo, que concentram o maior número de mortes no Estado.

 

O prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), disse "que não havia qualquer sinalização de que isso ocorreria". "O lixão estava desativado há 50 anos. Ninguém poderia imaginar. Lamentavelmente isto ocorreu e estamos estudando as causas e as consequências no entorno. Quando houve o primeiro deslizamento a prefeitura estava atuando aqui. A prova disso é o nosso maquinário, entre os escombros", afirmou o prefeito.

 

Ele negou que a região fosse um loteamento da prefeitura, como alegaram alguns moradores.

 

Texto atualizado às 17h35.

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