Suspeito da morte de Toninho do PT depõe em SP

Cristiano Nascimento de Farias, o Cris, principal suspeito de ter disparado os tiros que mataram o prefeito de Campinas (SP), Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, encerrou no início da tarde de hoje o seu depoimento sobre o crime, na 1ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo. O teor do depoimento ainda é mantido em sigilo, mas a Secretaria de Segurança Pública já anunciou que poderá convocar ainda hoje uma entrevista coletiva para falar sobre ele.O depoimento de Cris, que começou às 11h, está sendo transcrito para o papel, para que possa ser oficializado e anexado ao inquérito que investiga o crime. Um grupo de promotores de Campinas, escalado pelo Ministério Público Estadual (MPE) para acompanhar as investigações, deverá chegar a São Paulo ainda nesta tarde, para ouvir Cris no DHPP.Cris, de 26 anos, preso quarta-feira em Santos, no litoral paulista, por policiais do Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado (DEIC), é considerado pela polícia como o braço direito do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, chefe da quadrilha apontada como responsável pelo assassinato de Toninho do PT.Andinho negou participação na morte do prefeito. A polícia sustenta a tese do envolvimento da quadrilha no assassinato, baseada em uma série de indícios. O principal deles é o exame balístico dos projéteis calibre 9mm que mataram Toninho. Eles partiram da mesma arma utilizada no seqüestro do garoto E.R.R, de nove anos, ocorrido em Campinas três dias depois da morte do prefeito. Andinho admitiu ter seqüestrado o garoto, junto com Cris e com outros três integrantes da quadrilha, que já estão mortos. Um Chevrolet Vectra prata, utilizado pela quadrilha de Andinho, também teria participado da morte do prefeito.Para o deputado estadual Renato Simões (PT), que integra a comissão designada pela executiva nacional do partido para acompanhar as investigações, os indícios ainda estão longe de se constituir em provas que possam chancelar o encerramento do caso, como tem propalado a polícia. "Ele tem que dizer onde está a arma e suas impressões digitais têm que ser confrontadas com as impressões digitais encontradas no Vectra prata. Sem isso, as investigações ainda estão em aberto", afirmou o deputado.Simões lembrou que, dos integrantes da quadrilha que supostamente participaram do assassinato, apenas Cris e Andinho estão vivos. "Dois foram mortos em uma desastrada ação da polícia de Campinas em Caraguatatuba, no litoral, e o outro durante a prisão de Andinho", disse ele. "Só podemos considerar o caso como encerrado depois de termos as provas materiais e a real motivação do crime."

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