JB Neto/AE
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Suspeito de assassinar empresário em padaria se entrega

Segundo defesa de Eduardo Pompeu, segurança usou faca para se defender de agressão de Dácio de Souza

Leandro Calixto, do Jornal da Tarde,

31 de dezembro de 2009 | 00h07

O segurança Eduardo Sousa Pompeu, de 47 anos, acusado de matar com um golpe de faca o empresário Dácio Múcio de Souza Júnior, de 29 anos, apresentou-se no 77º Distrito Policial (Santa Cecília) por volta da meia-noite desta quarta-feira, 30. Ele chegou ao distrito em uma viatura.

 

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Com a prisão temporária de 30 dias pedida pela polícia, Pompeu foi prestar esclarecimentos. A Justiça deve decidir ainda nesta madrugada se acata ou não o pedido de prisão. O segurança é o único suspeito do crime. "Vou levá-lo à polícia para ele esclarecer tudo. Tenho certeza que ele irá responder a esse processo em liberdade", dizia, no início da noite a advogada do acusado, Adriana Ueda.

 

A advogada do segurança afirmou que ele usou a faca para se defender de uma agressão do empresário, também a faca. Nesta quarta, a família da vítima considerou fantasiosa a versão da defesa.

 

"A versão é fantasiosa. É tão absurda quanto o próprio crime", disse o porta-voz dos parentes da vítima, Marco Antônio Simon, que é assessor de imprensa do grupo Europa, de propriedade da família de Souza Júnior. "Eles (os parentes) estão muito abalados. Todos estão em estado de choque", afirmou o assessor.

 

Simon acompanhou a irmã do empresário, Nathalia Curti de Souza, de 20 anos, que prestou depoimento na tarde desta quarta. Ela estava presente na noite do crime. A estudante foi embora e não quis conversar com os jornalistas.

 

Crime em Higienópolis

 

Souza Júnior foi morto na porta da padaria Dona Deôla, em Higienópolis, bairro nobre do centro. Ele teria ido ao local para tirar satisfação sobre uma suposta ofensa sofrida pela irmã, Nathalia. Após uma discussão, Pompeu deu uma facada em seu abdome e fugiu. O empresário chegou a ser levado para o Hospital Samaritano, que fica em frente à padaria, mas não resistiu ao ferimento.

 

Na tarde desta quarta, a advogada do acusado disse à polícia que o segurança agiu em legítima defesa porque foi provocado pela vítima. "O empresário entrou na padaria, pegou uma faca e tentou atingir meu cliente, que apenas se defendeu da agressão", disse Adriana Ueda.

 

A vida do segurança Eduardo Sousa Pompeu sempre foi marcada por tragédias. Viúvo, perdeu também a mãe e uma filha. Aos 47 anos, cria os outros três filhos sozinho. Um deles, uma menina de 14 anos, tem hidrocefalia.

 

Há dois anos começou a trabalhar na padaria. De acordo com a advogada, ele se arrepende do crime. "Ele está chorando muito. Queria voltar atrás e não responder à provocação do empresário", disse. "O Eduardo é um homem trabalhador, nunca teve problema com a polícia e só se envolveu nesse caso porque foi se defender. Ele é um homem de bem", afirmou a advogada.

 

Nos dias em que ficou desaparecido, o segurança teria ficado na residência de um familiar na região do Vale do Paraíba.

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