Suspeito de ataque a UPP é preso

Horas depois de a PM ter divulgado nomes e fotos de quatro acusados de envolvimento no ataque, um dos supeitos entregou-se à Polícia Civil

Marcelo Gomes, do Rio,

26 de julho de 2012 | 17h48

 Horas depois de a Polícia Militar ter divulgado nomes e fotos de quatro acusados de envolvimento no ataque à UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, e na morte da soldado Fabiana Aparecida de Souza, um dos suspeitos entregou-se à Polícia Civil no fim da noite de quarta-feira, 25. Regis Eduardo Batista, o RG, de 24 anos, possuía 27 de mandados de prisão por vários crimes, entre eles tráfico de drogas, homicídios e roubos. Porém, a Divisão de Homicídios (DH), que investiga o assassinato da policial militar, ainda não confirmou a participação dele neste crime. "Nesse momento as investigações estão sob sigilo", limitiu-se a afirmar o delegado Rivaldo Barbosa, titular da DH.

 

Perguntada sobre a participação de Regis nos crimes, a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, tergiversou: "O importante é destacar a periculosidade do DG, que com apenas 24 anos, já possui 27 mandados de prisão. Ele responde a sete inquéritos de homicídios, alguns deles de policiais. Como autor de vários crimes, estamos articulando com várias delegacias para que ele seja ouvido em todas essas investigações".

Regis se entregou a agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Corregedoria da Polícia Civil num posto de gasolina em Maria da Graça, zona norte do Rio, após seu advogado negociar sua rendição. Em depoimento na madrugada desta quinta-feira na DH, ele negou envolvimento no ataque à UPP Nova Brasília e na morte de Fabiana, ocorridos na noite de segunda-feira.

O bandido admitiu que pertencia à facção do tráfico de drogas no Morro da Fé, no Complexo da Penha, até a tomada do conjunto de favelas da Penha e do Alemão pelas forças de segurança, em novembro de 2010. Ele teria fugido para o Morro da Mangueira, que também foi ocupado pela polícia um ano depois. Em seguida, Regis disse que passou pelos morros do Chapadão, em Costa Barros, e do Juramento, em Vicente de Carvalho, antes de se refugiar na Região dos Lagos do Estado. Atualmente, o traficante estava morando na zona oeste da capital. Ele é apontado como braço-direito do traficante Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, que chefia e venda de drogas nos morros do Chapadão e da Pedreira, ambos em Costa Barros.

Regis também foi um dos 26 indiciados no inquérito da 25ª DP (Engenho Novo)que investigou o abate do helicóptero da Polícia Militar no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, zona norte do Rio, em outubro de 2009. Em setembro de 2010, o Ministério Público denunciou quatro bandidos à Justiça, e solicitou mais investigações sobre o envolvimento de 22 pessoas, entre elas, Regis.

 

Pelo terceiro dia consecutivo, a Polícia Militar voltou a realizar nesta quinta-feira operações em várias favelas controladas pela mesma facção criminosa que atuava no Alemão à procura dos criminosos que metralharam a UPP e mataram a soldado. Até o fim da tarde, um suspeito morreu em confronto com os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Outros 10 foram detidos no Juramento e nos morros do Chapadão, em Costa Barros, e do Cajueiro, em Madureira - todos na zona norte. Drogas e armas foram apreendidas.

Mortes em outra UPP. A Divisão de Homicídios (DH) também investiga a morte de dois jovens durante confronto com PMs da UPP do Morro do Andaraí, no bairro de mesmo nome, na zona norte, na noite de quarta-feira. As vítimas foram identificadas como Jean Marlon Alves Vieira, de 18 anos, e Ednilson da Conceição, de 21 anos. Os dois foram atingidos por um mesmo tiro de fuzil calibre 7.62, disparado por um PM. Segundo a polícia, com eles foram apreendidos drogas, um revólver calibre 32 e uma réplica de pistola falsa. Jean Marlon tinha duas passagens por roubo, quando ainda era menor, e Ednilson tem uma anotação por tráfico de drogas. Parentes dos rapazes, porém, negam que eles tivessem envolvimento com o tráfico.

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