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Suspeito de estuprar e engravidar menina no Espírito Santo, tio já foi preso por tráfico

Investigações apontam que abusos ocorriam há quatros anos; principal hipótese é de que ele tenha se escondido agora no interior baiano

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 20h23

SÃO PAULO - O foragido da Justiça R. H. de J., de 33 anos, é o principal suspeito de estuprar e engravidar a própria sobrinha de 10 anos em São Mateus, no Espírito Santo, que precisou se submeter a procedimento legal para interromper a gestação neste fim de semana. Ex-presidiário, ele já chegou a cumprir pena por tráfico de drogas, associação criminosa e posse ilegal de arma.

O novo mandado de prisão, por estupro de vulnerável, foi expedido pela 3.ª Vara Criminal de São Mateus, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES), na quarta-feira passada, 12. O Estadão optou por não revelar o nome do suspeito para preservar a identidade da criança, que é da mesma família.

Segundo a investigação policial, a principal hipótese da polícia é que R. H. de J. tenha se escondido na casa de familiares em Ibirapuã, no interior da Bahia, onde nasceu, após o caso ganhar repercussão. O município fica em área rural e é marcado pela produção de cana de açúcar, próximo à tríplice divisa com Minas e Espírito Santo.

Com apenas 8,6 mil habitantes, agentes de segurança consideram o local "tranquilo". Por lá, o delegado precisa se dividir entre as ocorrências de Ibirapuã e da vizinha Lajedão. Viaturas da Polícia Militar também cumprem diligências para localizar o homem desde a semana passada.

"A gente está no encalço e, se Deus quiser, conseguimos pegá-lo logo. É um cara perigoso, metido a valente: já é conhecido da gente por aqui", afirmou um agente que participa das tentativas de captura. "A principal hipótese é que ele esteja aqui mesmo, escondido na casa de algum parente."

Segundo relata, a última informação recebida pela polícia é de que o suspeito foi visto em um mototáxi a caminho de Nanuque, cidade mineira a 45 quilômetros de distância. Ao condutor, ele teria dito que iria em seguida para Belo Horizonte, mas os investigadores acreditam se tratar de uma pista falsa para atrapalhar as buscas.

De acordo com as investigações, ele a estuprava há cerca de quatro anos. O caso foi descoberto após a menina dar entrada Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, se sentindo mal. Enfermeiros estranharam o tamanho da barriga da menina e constataram a gravidez após exames. Em conversa com médicos e com a tia que a acompanhava, a criança relatou que não havia contado aos familiares por medo. Segundo a vítima, o tio a ameaçava.

Homem passou sete anos na prisão

Segundo a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus) do Espírito Santo, o tio da criança foi preso em maio de 2011 e passou cerca de sete anos no sistema penitenciário. "Ele cumpriu pena em unidades de regime fechado e semiaberto, sendo a última na  Penitenciária Regional de Linhares", afirma, em nota.

Na ocasião, policiais civis capixabas teriam encontrado, dentro da cestinha de lixo do banheiro, duas armas de fogo calibre 38, ambas municiadas, além de dois trabletes de crack. Em seguida, os agentes localizaram uma sacola plástica com ácido bórico, substância usada para mistura de droga, e uma balança de precisão.

À Justiça, ele teria admitido que os revólveres pertenciam a ele, mas alegou que as pedras de crack seriam para uso próprio. No mesmo processo, outras duas pessoas também foram julgadas e condenadas pelos crimes.

De acordo com a Sejus, o suspeito conseguiu progressão para o regime semiaberto em 2017. Já em março de 2018, ele deixou o sistema prisional capixaba. O Estadão tentou contato com dois advogados que representaram o suspeito no processo anterior, mas não conseguiu localizá-los.

Em nota, o Ministério Público do Espírito Santo afirma que "as diligências para busca e captura do suspeito do crime continuam". "Todas as medidas para preservar e proteger a intimidade da criança estão sendo tomadas, sob pena de responsabilização." Ainda segundo MPE-ES, foi instaurado investigação para identificar grupos que teriam ameaçado a família da criança por causa do aborto legal, além de ações para retirar vídeos e informações sobre a menina da internet.

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