Suspeito de matar desembargador é preso no Rio

A Polícia Militar (PM) prendeu na manhã desta sexta-feira, 4, um suspeito do assassinato do desembargador José Maria de Mello Porto, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O homem, identificado apenas como Romarinho, estava sozinho numa casa na favela Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, quando foi surpreendido por policiais do 22º Batalhão da PM. O acusado foi encaminhado à delegacia de Bonsucesso para prestar depoimento.Com ele, os policiais apreenderam uma metralhadora e pequena quantidade de maconha. "Recebemos uma denúncia anônima sobre a participação dele e fomos à favela para averiguar. Conseguimos cercá-lo e ele não teve chance de reação", afirmou o comandante do batalhão, tenente-coronel Rui Laury.Outro suspeitoO subchefe de Polícia Civil do Rio, José Renato Torres, disse que já foi identificado o principal suspeito do assassinato do desembargador Mello Porto. Ele informou que a polícia recebeu pelo menos três denúncias que indicam que esse suspeito é integrante de uma quadrilha de assaltantes da favela Parque Alegria, próxima ao local do crime, na Avenida Brasil. A polícia já tem a identificação completa do homem, com nome, endereço e fotografias. Ele está sendo procurado. Mello Porto foi assassinado na noite desta quinta-feira, 3, na Avenida Brasil, via expressa que liga o centro à zona oeste do Rio. Mello Porto seguia da sede do TRT para casa, na Barra da Tijuca. Ele estava de carona no Audi A3 do procurador federal aposentado identificado como Teixeira Neto. Os bandidos teriam levado uma arma que o magistrado carregava na hora do crime.De acordo com Torres, tudo indica que foi mais um caso de latrocínio (roubo seguido de morte). O subchefe contou que, diante do anúncio de assalto, Mello Porto saiu do carro em que estava, engatilhou a própria pistola e gritou para os assaltantes que era o "juiz Mello Porto". A informação consta do depoimento à polícia do procurador Teixeira Neto, que dirigia o carro em que estava o desembargador. Para Torres, Mello Porto foi a única vítima por ter reagido, enquanto o procurador permaneceu no carro. Suspeita de crime encomendadoO presidente do TRT, Ivan Rodrigues Alves, disse que Mello Porto não informou ao tribunal se estava recebendo ameaças. No entanto, Alves também não descartou a possibilidade de crime encomendado. "Não só nós, mas toda a população do Rio de Janeiro está apreensiva, mas desembargadores e juízes estão mais expostos. Não descartamos nenhuma das versões para o crime, que até agora são desencontradas". Ele disse que pediu à Secretaria de Estado de Segurança Pública rigor na apuração do assassinato. O corpo do desembargador está sendo velado na sede do TRT e o enterro está marcado para as 16 horas, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.Personalidade polêmica Primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Marco Aurélio de Mello, Mello Porto foi presidente do TRT-RJ entre 1992 e 1994. Em 1982 tentou ingressar na política como candidato a deputado pelo PTB do Rio. Polêmico, teve seu nome envolvido em diversos processos. As investigações da CPI do Judiciário no Rio se concentraram sobre ele, que foi chamado a depor. O relator da CPI, senador Paulo Souto, afirmou na época que Mello Porto teria sonegado patrimônio, praticado improbidades administrativas e atos de autopromoção, e chegou a pedir sua punição.Mello Porto enfrentou também acusações de venda de sentenças e de cargos de juízes classistas. A campanha eleitoral irregular e os supostos atos de improbidade administrativa foram denunciados pelo promotor federal Daniel Sarmento.Ao longo de seus 38 anos de carreira moveu processos contra vários jornalistas, veículos de comunicação e procuradores, obtendo vitória na maioria deles.Matéria ampliada às 12h00

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