Suspeito de matar Eliza só vai falar em juízo, diz advogado

Mesma orientação foi dada pelo advogado de outros três suspeitos de envolvimento com o crime: Wemerson Marques, o Coxinha, Flávio Caetano e Elenilson Vitor da Silva

Eduardo Kattah - O Estado de S. Paulo

12 de julho de 2010 | 19h57

BELO HORIZONTE - Apontado como o autor da suposta execução de Eliza Samudio, de 25 anos, e do desaparecimento dos restos mortais da ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, se recusou nesta segunda-feira, 12, a responder as perguntas feitas pelos delegados que apuram o caso. De acordo com o advogado do suspeito, Zanone Oliveira Júnior, o ex-policial se reservou ao direito permanecer calado e de só responder em juízo às dezenas de questionamentos feitos.

 

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A mesma orientação foi dada pelo advogado Ércio Quaresma a outros três suspeitos de envolvimento com o crime: Wemerson Marques, o Coxinha, Flávio Caetano e Elenilson Vitor da Silva. Os quatro foram levados no início da tarde da penitenciária de segurança máxima, Nelson Hungria, em Contagem, para o Departamento de Investigação (DI), na capital mineira.

 

Diante da resistência dos suspeitos em prestar declarações, a estratégia da polícia mineira é "cansá-los" com técnicas de interrogação. Ao mesmo tempo, para avançar na investigação, a polícia pretende promover uma acareação entre os primos de Bruno, o menor J. e Sérgio Rosa Sales, para esclarecer divergências nas versões apresentadas nos depoimentos dos dois.

 

O advogado Marco Antônio Siqueira, que representa Sérgio, disse que considera "fundamental" a acareação para o esclarecimento dos fatos e pediu a participação do promotor que acompanha o caso, Gustavo Fantini. Segundo ele, o primo de Bruno está disposto a colaborar com a investigação.

 

Habeas corpus

 

Quaresma - que também representa Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e Dayanne Souza, mulher do goleiro - e o advogado de Bola reiteraram que iriam impetrar ainda na segunda-feira no TJ-MG habeas corpus em favor de seus clientes. Até o início da noite, porém, o tribunal não havia acusado o recebimento da medida cautelar.

 

Zanone disse que iria impetrar também na segunda uma ordem de reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) para ter acesso ao inquérito e acusou os delegados responsáveis pelo caso de adotar uma "estratégia policialesca".

 

"Quero, inclusive, atestar a legitimidade e a legalidade do depoimento prestado por esse menor (J., que relatou que Eliza teria sido morta na casa de Bola pelo ex-policial)", disse. "O Estatuto da Criança e do Adolescente é claro. Um depoimento desse quilate só pode ser colhido na presença de um responsável legal."

 

O advogado disse que "acha" que Bola não conhecia Bruno e chegou a sugerir que a ex-amante do goleiro poderia estar viva e morando atualmente na Rússia. Zanone afirmou ainda que o ex-policial está abatido e muito preocupado com a família e com o destino dos cachorros apreendidos em sua residência.

 

Extermínio

 

O inspetor Júlio Monteiro, ex-coordenador do Grupo de Resposta Especiais (GRE), reiterou a acusação de que Bola integrava uma organização de extermínio dentro da equipe de elite da Polícia Civil mineira, embora estivesse excluído da corporação desde 1992.

 

No depoimento que prestou no dia 21 de maio de 2009 na Corregedoria-Geral de Polícia, Monteiro informou que recebeu um envelope com a denúncia anônima, envolvendo Bola e outros dois ex-integrantes do GRE. No relato, o inspetor disse que no fim de 2008 dois rapazes foram presos pelos acusados e levados para o interior do sítio alugado por Bola - onde a polícia fez buscas pelos restos mortais de Eliza -, para um local chamado de "casa para matar".

 

Segundo o depoimento, os jovens foram "desmembrados" com um facão por um inspetor identificado como Gilson e os restos mortais queimados com ajuda de pneus. As vítimas teriam sido mortas em um método de assassinato e ocultação de cadáver semelhante ao que foi descrito por J. em relação a suposta morte de Eliza.

 

"Segundo consta, os cães eram dele (Bola) e ele participou de toda mecânica desses acontecimentos. Ele ajudou a algemar, ajudou a prender, ajudou a esquartejar, ajudou a queimar, ajudou a sumir com as cinzas."

 

A Corregedoria informou hoje que abriu inquérito para apurar as imagens em que Bola aparece em um vídeo participando de treinamento do GRE no sítio em Esmeraldas (MG). Monteiro alegou que não sabia que Bola não pertencia à corporação e negou que ele desse aulas para o grupo.

 

O advogado do ex-policial contestou as denúncias. "Estão pintando um monstro na figura do meu cliente", disse. "Isso é um absurdo, isso é uma pantomima, isso é uma balela."

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