Suspeito de matar estagiária na frente dos pais é preso no Rio

Vítima foi baleada na nuca depois de ser assaltada e pedir que os ladrões devolvessem o crachá do trabalho

Solange Spigliatti, estadao.com.br

31 de março de 2009 | 09h05

A polícia prendeu no fim da noite da segunda-feira, 30, Augusto César de Souza, de 28 anos, acusado de ter assassinado a estagiária da Caixa Econômica Federal, Karla Leal dos Reis, de 25 anos, durante um assalto na noite de domingo, 29, no Estácio, na zona norte do Rio. Augusto foi preso na Praça da Cruz Vermelha. Ele tem sete passagens pela polícia por roubo, furto e estupro.

 

A estudante de administração foi assassinada com um tiro na nuca durante um assalto perto de sua casa, na Cidade Nova, centro do Rio. Ela e os pais voltavam da igreja, quando foram abordados por três jovens, pelo menos um deles armado.

 

Segundo informações prestada pelos pais à polícia, o assaltante teria atirado quando ela tentou recuperar a mochila que havia sido roubada e que tinha caído no chão quando eles assaltavam outra pessoa, poucos metros adiante. Quando foram abordados pelos assaltantes, Karla pediu que eles devolvessem a bíblia e seu crachá - ela era estagiária da Caixa Econômica Federal - que estava na mochila.

 

Eles atenderam o pedido e, logo depois, abordaram uma outra mulher. Na ação a mochila teria caído e Karla tentou resgatá-la. Na hora, o assaltante atirou e o grupo fugiu. A estudante foi levada para o Hospital Souza Aguiar, no centro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar à mesa de cirurgia.

 

Enterro

 

O corpo de Karla foi enterrado na tarde de segunda, na presença de cem pessoas no Cemitério do Catumbi, bairro vizinho ao local do crime. Os pais da jovem ajudaram na confecção do retrato falado do bandido que teria atirado, que foi divulgado no início da noite. Muito abalado, o casal não falou com a imprensa sobre o assassinato.

 

Karla era filha única e se formaria no fim do ano. A polícia disse acreditar que os assaltantes sejam do morro do São Carlos, próximo ao local onde ela foi assassinada, mas o comandante do 1º Batalhão de Polícia Militar, coronel Sérgio Mendes, disse que só vai determinar incursões no morro caso a Polícia Civil tenha indícios fortes de que o grupo é de lá.

 

O governador Sérgio Cabral comentou o assassinato da estudante durante inauguração de um completo e equipado Centro de Imagens dos hospitais de emergência do estado no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna.

 

"Eu tenho dito permanentemente que jamais deixarei de me indignar e de me chocar. Não vamos aceitar estas situações, como a desta jovem, como a do casal na Avenida Niemeyer, como a de tantas outras situações de barbárie, como a presença do crime organizado, seja o tráfico, seja a milícia, matando gente inocente", disse Cabral.

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