Suspeito de matar Staheli é solto por erros da Secretaria

Uma série de erros cometidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) resultou na libertação do caseiro Jossiel Conceição dos Santos, de 20 anos, que na quinta-feira confessou ter assassinado com um pé-de-cabra o casal norte-americano Todd e Michelle Staheli. O rapaz estava preso desde a madrugada de quinta-feira e deixou a 16.ª Delegacia Policial (Barra da Tijuca) às 17h40 em um carro da DefensoriaPública. Santos foi levado para a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, onde prestaria novo depoimento. A defensoria informou que ele alteraria sua versão sobre o crime. Para a Justiça, não há provas de que Jossiel é o assassino. O defensor público Leonardo Rosa disse não acreditar que o preso tenha sofrido pressão ou coação. ?Mas vamos levá-lo para a secretaria para dirimir qualquer dúvida com relação a essa pressão. Posso dizer apenas que para nós ele não confessou o crime.? Acrescentou ainda que a Defensoria Pública ?não combate omérito da prisão, mas a ilegalidade.?Os erros da SSP foram listados pelo juiz Renato Ricardo Barbosa, que estava de plantão no Tribunal de Justiça (TJ) na madrugada de quinta-feira e negou o pedido de prisão temporária contra Santos por duplo homicídio qualificado apresentado pela polícia e do promotor Ellis Hermydio Figueira Júnior. ?A prova do inquérito, no que concerne à autoria, para mim não é convincente, visto que na apuração da verdade, a confissão tem valor relativo?, afirmou o magistrado.Sem entrar em detalhes, o juiz afirmou que ?o depoimento colhido se choca, de frente e de perfil, com o laudo do exame de corpo de delito de Michelle Staheli?. O TJ informou que, segundo o magistrado, ?Jossiel é acusado apenas de suspeita de furto e que ele deixou de ser interrogado por uma autoridade judicial, como determina a lei processual.? Barbosa afirmou também que, por ser menor de 21 anos, Santos não poderia ter sido ouvido sem a presença de um curador. Além disso, o réu permaneceu detido ?sem assistência jurídica? e foi interrogado ?apenas por policiais?.Com a negativa de Barbosa, os defensores públicos pediram um hábeas-corpus, concedido pela juíza Maria Angélica Guedes,do 4º Tribunal do Júri da Capital. À noite, a mesma juíza negou um novo pedido de prisão temporária, por 30 dias, oferecido pela promotora Daniele Navega, da 1.ª Central de Inquéritos do Ministério Público. A juíza deu à polícia prazo de 48 horas para prestar informações sobre os motivos da prisão do caseiro.Santos trabalhava como caseiro de um vizinho do casal Staheli havia três anos e foi preso na madrugada de quinta após terinvadido a casa do cônsul-geral da Grécia, no mesmo condomínio. Levado para a 16.ª DP, ele confessou ser o assassino dos norte-americanos e levou a polícia até o local onde estava a arma do crime: um pé-de-cabra. Depois, contou à imprensa em detalhes como o crime foi cometido, numa entrevista conduzida pelo secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho. Ele também admitiu que pretendia roubar a casa do cônsul.

Agencia Estado,

02 de abril de 2004 | 19h47

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