Reprodução
Reprodução

17 suspeitos de integrar facção são mortos pela PM em Manaus

Segundo Secretaria de Segurança Pública, grupo estaria se preparando para atacar organização criminosa rival

Thaise Rocha, especial para o Estado

30 de outubro de 2019 | 11h09

MANAUS - Dezessete supeitos de integrar uma facção criminosa, ainda não identificados, foram mortos durante confronto com a Polícia Militar entre a noite de terça-feira, 29, e madrugada desta quarta, 30, no bairro Crespo, zona sul de Manaus. Nenhum policial ficou ferido. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), os suspeitos se preparavam para matar membros da organização rival, com objetivo de tomar o controle de um ponto de venda de drogas

O titular da pasta, Coronel Bonates, disse não temer represálias à PM após o resultado do confronto. Segundo ele, o fato de nenhum policial ter sido atingido foi proteção divina. "Isso comprova o grau de adestramento e treinamento das nossas tropas e que Deus nos protege sempre. Nossos policiais souberam trabalhar e obtiveram êxito na missão", diz. "A polícia não mata, ela intervém tecnicamente. Não estamos preocupados com represálias porque não fizemos nada irregular. A polícia agiu de maneira correta".

A Operação se iniciou por volta das 22 horas e se estendeu até as 3 horas da madrugada. A Polícia Militar foi acionada para a ocorrência após denúncias recebidas pelas Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) de que um grupo de 50 homens, supostos integrantes da Facção Família do Norte, chegaram armados ao Beco Becil, em um caminhão-baú, para atacar um grupo do Comando Vermelho.

"Deslocamos equipes, e a Força Tática, ao chegar no local, teve uma primeira troca de tiros. Houve uma intervenção policial, viaturas da Rocam e as forças especiais, Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) e Comando de Comando de Policiamento da Área Sul (CPA-Sul) tiveram que se deslocar como apoio especializado e atuaram na ocorrência com êxito", informou o comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel Ayrton Norte. "Chegamos para preservar vidas e aplicar a lei, mas infelizmente eles quiseram ir para o confronto."

Na operação, foram apreendidas 17 armas, entre pistolas, revólveres e uma submetralhadora Uzi. Os feridos chegaram a ser socorridos e encaminhados ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, na zona sul, mas não resistiram aos ferimentos. Os outros conseguiram escapar e não foram identificados.

Parentes dos mortos estão no Instituto Médico-Legal (IML) para fazer o reconhecimento dos corpos. A lista com os nomes dos mortos ainda não foi divulgada pela polícia até o início da noite. Cristiane Custódio afirma que o seu filho, de 16 anos, é uma das vítimas.

Comovida, ela afirmou que o filho vivia com a avó e que chegou a se despedir antes de ir. "Ele me deu um beijo antes de sair ontem (terça-feira). Pedi R$ 20 dele e ele disse que me daria quando voltasse. Eu sempre disse para que ele tomasse cuidado com esse mundo, por onde ele andava, porque era perigoso. Mas ele nunca me ouvia." Segundo ela, o jovem fazia parte da FDN. 

Região vive conflito entre pelo menos 17 facções

A Região Norte, onde um massacre atribuído a uma briga entre grupos criminosos deixou 58 mortos em julho, convive com o clima instável da disputa entre ao menos 17 facções criminosas. O racha nacional entre Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), evidenciado desde o fim de 2016, potencializa conflitos regionais pela disputa da rota de tráfico de cocaína cuja importância é crescente, segundo policiais e pesquisadores.

O PCC e o CV estão nos sete Estados da região, diz levantamento do Observatório de Análise Criminal do Ministério Público do Acre. A presença das maiores facções no Norte ocorre com diferentes graus de poder e com variados tipos de influência e alianças com grupos locais. A terceira maior facção do País, a Família do Norte, tem origem na região. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.