Maycon Nunes/Agência Pará
Maycon Nunes/Agência Pará

Suspeitos de liderar massacre em Altamira são transferidos

Entre os detentos encaminhados para outras unidades está Luziel Barbosa, o Hebraico, apontado como chefe do Comando Classe A

Felipe Cordeiro e Rita Soares, especial para o Estado

30 de julho de 2019 | 15h21
Atualizado 02 de agosto de 2019 | 09h57

BELÉM E SÃO PAULO - O governo do Pará iniciou nesta terça-feira, 30, a transferência de 46 detentos após o massacre no Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRALT) nesta segunda-feira, 29, que terminou com 58 mortos.  Do total, oito homens apontados como líderes da facção Comando Classe A (CCA), responsável pela matança, serão encaminhados para penitenciárias federais; oito para unidades em Belém, onde ficarão em isolamento; e 30 serão distribuídos por outras cinco prisões.

Entre os detentos que já chegaram à capital paraense estão Luziel Barbosa, Renilson de Paula Alves, Ezequias Santana da Conceição, Edicley Lima Silva, Melzemias Pereira Ribeiro, Hildson Alves da Silva e Marcos Vinícius Nonato de Souza.

Conhecido como Hebraico, Luziel é considerado um dos comandantes do CCA. O grupo criminoso nasceu no Pará há 11 anos e domina o tráfico na região. A facção foi criada por um irmão de Luziel, Oziel Barbosa, o Tchile, que foi morto em confronto com a polícia. Outro irmão deles, Lucenildo Barbosa, conhecido como Lúcio VK, está foragido.

A operação de transferência dos detentos conta com a atuação de 100 agentes de segurança pública do Estado, das Polícias Civil e Militar, da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) e do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp).

Entre as medidas anunciadas pelo governo está a transferência de cerca de 500 presos do Complexo de Marituba, na região metropolitana de Belém, para outras unidades penais. "O objetivo é garantir a segurança intra e extramuros, preservar a vida de internos aliados a organizações criminosas e manter a segurança dos agentes prisionais e servidores que trabalham na unidade", informou, em nota, o governo.

O Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) anunciou que vai iniciar um mutirão, como projeto piloto, para avaliar processos e dar celeridade na situação de presos custodiados. Há informações não confirmadas de que entre os mortos havia detentos que não haviam sido julgados - os chamados presos provisórios. O Conselho Nacional de Justiça pediu os números oficiais ao TJPA, que informou estar fazendo o levantamento. 

O governo do Pará informou ainda que a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) presta assistência aos familiares dos detentos mortos no massacre em Altamira. Nesta terça, a gestão estadual informou os nomes das vítimas.

"Uma equipe multidisciplinar, formada por cinco médicos, quatro psicólogos, cinco assistentes sociais e quatro enfermeiros, além de profissionais auxiliares, está garantindo atendimento e acolhimento às famílias, 24 horas, por tempo indeterminado", afirmou o governo do Pará.

Como foi o massacre no presídio de Altamira, no Pará

Segundo a Susipe, os assassinatos foram resultado de um confronto entre duas facções criminosas que disputam território dentro da unidade prisional, o CCA e o Comando Vermelho (CV). O massacre se iniciou por volta das 7 horas, quando líderes do CCA atearam fogo em uma cela que pertence a um dos pavilhões do presídio, onde ficavam integrantes do CV.

Como a unidade é mais antiga, construída de forma adaptada a partir de um contêiner, com alvenaria, o fogo se alastrou rapidamente. A maioria dos mortos foi vítima de asfixia, e 16 foram decapitados.

Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) evitou lamentar o massacre de Altamira. Questionado sobre o caso nesta terça, ele afirmou: "Pergunta para as vítimas dos que morreram lá o que elas acham. Depois eu falo com vocês".

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