Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Suspeitos devem ter sigilo quebrado

Polícia quer rastrear ligações das pessoas presas por suposto envolvimento na morte do prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin

Paulo Saldaña e Ricardo Valota, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Depois de conseguir que a Justiça decretasse a prisão dos quatro suspeitos de assassinar o prefeito de Jandira, Walderi Braz Paschoalin (PSDB), a Polícia vai solicitar amanhã a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos. A ideia é conseguir rastrear com quem os investigados trocaram telefonemas nos momentos próximos ao horário do crime e encontrar um possível mandante.

O prefeito foi morto na manhã de sexta-feira atingido por uma rajada de metralhadora na porta de uma rádio da cidade, onde gravaria seu programa semanal. Seu motorista, Wellington Martins, também foi baleado e permanece internado em estado grave.

A Polícia conseguiu, na madrugada de sábado, a prisão temporária dos suspeitos com um juiz de plantão na capital. Foram decretadas as prisões de Adilson Alves de Souza e Lázaro Teodoro Faustino, detidos logo após o crime, e de Cristiano dos Santos e Felipe dos Santos, localizados com material inflamável. A polícia acredita que eles queimariam o veículo do prefeito.

Os quatro foram transferidos para a cadeia de Carapicuíba. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que exames residuográficos mostraram a presença de pólvora na mão de todos os suspeitos.

O corpo de Paschoalin foi sepultado na tarde ontem no jazigo da família cemitério municipal da cidade, que atraiu centenas de pessoas. O filho Alexandre, de 28 anos, cobrou uma rápida apuração do caso. "Acho que tem como solucionar rápido porque todo mundo sabe o motivo", disse ele, referindo-se a possíveis motivações políticas para o crime - até agora a hipótese mais forte. O próprio governador de São Paulo, Alberto Goldman, que era companheiro de partido de Paschoalin, afirmou que não acredita que em crime comum.

Com a morte do prefeito, sua a vice, Anabel Sabatini (PSDB), assume a administração sob clima de medo e desconfiança. "Não me sinto segura e sei que há grupos que não querem que eu assuma", disse ela durante o enterro. Ela pediu reforço na segurança.

Além do medo de um atentado - a cidade tem histórico de crimes envolvendo personagens da vida pública -, a prefeita em exercício sabe que vai ter dificuldades políticas para assumir o posto. Sabatine havia rompido com o prefeito há cerca de oito meses depois que fez denúncias sobre superfaturamento na compra de medicamentos. A vice-prefeita também era secretária municipal de Saúde. Ela conta ter se recusado a assinar notas fiscais no valor de R$ 1,5 milhão de medicamentos que não estavam disponíveis para os postos de saúde.

"Vai ser muito difícil. Sei que 99,9% dos secretários e do alto escalão do município não me querem lá. Mas agora eu vou descobrir a verdade", afirmou ela.

Sabatine pedira afastamento do cargo e se distanciou da Prefeitura. Até anteontem, sequer frequentava o gabinete. A denúncia fez com que ela se aproximasse da bancada do PT na Câmara, oposição à administração - o que deve dar novas cores às disputas políticas na cidade.

O presidente da Câmara dos Vereadores, Wesley Teixeira (PSB), da base aliado ao governo municipal, nega as denúncias. Segundo ele, a situação será mesmo difícil. "Agora ela é a prefeita, vamos ver o que vai fazer."

Na noite de anteontem, o senador eleito pelo PSDB Aloysio Nunes Ferreira Filho, e um dos nomes fortes partido, não quis comentar sobre a sucessão no município. "Ainda é muito cedo pra falar disso", disse.

Braz Paschoalin, no seu terceiro mandato, já fora alvo de seis investigações, de acordo com o Ministério Público. Dessas, cinco foram arquivadas.

PARA LEMBRAR

Cidade já teve mais políticos assassinados

Paulista de Ribeirão Preto, Walderi Braz Paschoalin estava em seu terceiro mandato como prefeito. Sua primeira vitória na política ocorreu em 1976, quando foi eleito vereador. Assumiu a presidência da Câmara Municipal em 1977 e foi secretário de Esportes antes de vencer pela primeira vez a corrida pelo Paço Municipal, em 1988. Paschoalin é o segundo prefeito assassinado na cidade, marcada por crimes contra políticos em apenas 47 anos de emancipação. Em 1983, o então prefeito Dorvalino Abílio Teixeira foi morto em casa. A polícia concluiu que ele foi vítima de assalto seguido de morte, mas até hoje há quem veja motivação política no caso. Das sete vítimas de homicídios registradas em Jandira este ano, três tinham carreira política e pertenciam ao grupo de Paschoalin.

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