Suspeitos podem estar envolvidos em outro seqüestro

O bando que era integrado por Wanderley José da Silva e Osman Hassan Issa, acusados do seqüestro do empresário Roberto Penido Júnior, de 37 anos, libertados pela justiça ontem, pode ser responsável por outro seqüestro em andamento em Sorocaba. Segundo o delegado seccional Everardo Tanganelli Júnior, o mesmo grupo é suspeito de ter seqüestrado a filha de um empresário do ramo de combustíveis na cidade. A garota está em poder dos seqüestradores há 45 dias. O delegado não revelou mais detalhes para não prejudicar as investigações, mas disse que o modo de ação dos seqüestradores indica a possível ligação entre os dois casos. O novo seqüestro vinha sendo mantido em sigilo, mas Tanganelli optou por revelar sua existência depois que a justiça de Salto decidiu soltar os acusados. O promotor Marcelo Moriscot, que negou o pedido de prisão preventiva apresentado pela polícia, alegou falta de provas consistentes. "Um trabalho de investigação de cinco meses sobre essa quadrilha perdeu-se", reagiu Tanganelli. O empresário, dono das lojas Cem, com sede em Salto, tinha sido seqüestrado no centro da cidade no início de outubro. Ele ficou 120 dias em poder dos seqüestradores, no mais longo seqüestro da história policial de São Paulo. Penido Júnior foi solto no final de janeiro, após a família ter pago US$ 1 milhão de resgate. A numeração das notas foi anotada pela polícia. Silva foi preso no dia 20 de fevereiro, depois que a polícia recebeu informações de que ele tentava trocar dólares. Em seu poder foram encontradas 30 notas de US$ 100, das quais 27 tinham a numeração marcada. Ele contou que trocara parte dos dólares com Osman Issa. O doleiro foi preso em São Paulo, com grande quantidade de dólares com a numeração anotada. A prisão temporária dos acusados foi decretada pela justiça. O inquérito foi concluído no último dia 17 e, com ele, foi encaminhado ao Fórum de Salto o pedido de prisão preventiva dos acusados. O promotor Moriscot não concordou com o pedido de prisão. Na última segunda-feira, tendo expirado o prazo da temporária, os suspeitos foram soltos. Para o delegado, as provas eram suficientes para mantê-los na cadeia. "O Wanderley estava com os dólares do resgate e confessou informalmente a participação direta na ação." Além disso, vários telefonemas foram feitos, durante as negociações, de um telefone público localizado perto de sua casa, em Sorocaba. "Ele nem foi ouvido pelo promotor." Já o doleiro participava de um esquema de lavagem do dinheiro de seqüestros, segundo o delegado. "Estávamos na pista de outros integrantes da quadrilha. ?Ele acha que a soltura dos acusados vai atrapalhar a completa elucidação desse caso e de outros seqüestros?. Marcelo Moriscot disse que o inquérito apresentado pela polícia não tinha uma base sólida para a acusação dos suspeitos. "O fato de estarem com dólares marcados não prova que fizeram o seqüestro, pois o comércio dessas cédulas é usual." Segundo ele, a polícia deveria ter apresentado provas mais concretas para garantir que o processo terminasse em condenação. "Se eles são absolvidos, não há como reabrir o caso." Sem provas, não dá para manter pessoas suspeitas na cadeia, disse. "Os princípios constitucionais devem ser respeitados no processo criminal."

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