Suspensão das queimadas faz agricultores iniciarem greve

Cerca de 2 mil trabalhadores oriundos de Minas Gerais, Bahia e outros estados do Nordeste, deixaram de colher cana nesta quinta-feira em Monte Aprazível, a 475 quilômetros de São Paulo. O governo do Estado de São Paulo suspendeu as queimadas por causa do risco de incêndios gerado pela baixa umidade do ar, mas os trabalhadores alegam que a medida irá causar prejuízos para eles e iniciaram a greve. "Eles ameaçaram atear fogo nas plantações, foram impedidos pelos agricultores e iniciaram uma greve", contou Celso Blanco, um dos fornecedores de cana da Associação dos Plantadores de Monte Aprazível (Canaplam). Blanco tem 42 hectares de cana para ser colhidos a partir de 1º de agosto, mas com a suspensão da queimada, o prazo pode esticar. Os cortadores de cana recebem R$ 9,00 por tonelada de cana queimada e R$ 18,00 por tonelada pela cana com palha. No entanto, a cana queimada facilita a colheita. Um dos trabalhadores, João Raimundo Oliveira Batista, de 27 anos, disse colher cerca de 8 toneladas por dia de cana queimada, mas não colhe mais de 2 toneladas da cana com a palha. "Cortar cana com a palha reduz muito a produtividade e não podemos receber aquilo que planejamos", diz Raimundo. "Se essa suspensão continuar, a coisa vai ficar feia para nós", acrescenta. A expectativa é de que, se a suspensão continuar, a colheita pode sofrer revezes dentro de quatro dias, quando toda a cana queimada já estará colhida e os cortadores poderão reduzir o ritmo para receber apenas o piso da categoria (R$ 600,00).Umidade sobe Depois de um começo de semana preocupante, o índice da umidade relativa do ar voltou a subir nesta quinta-feira nas regiões de Araçatuba, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Bauru. Em São José do Rio Preto, onde a umidade chegou a 18% na terça-feira, batendo um recorde de dez anos, o índice subiu para 23% no final da tarde. Em Bauru, onde havia atingido 20% na quarta-feira, o índice subiu para 30%; e em Araçatuba, saltou de 20% na quarta-feira para 28% nesta quinta-feira. Em Presidente Prudente, o índice nesta quinta-feira era de 24%, acima dos 18% registrados no dia anterior. Apesar do alívio, a população continuou lotando as unidades de Saúde em busca de tratamento para os problemas respiratórios. Em São José do Rio Preto, segundo a assessoria da Secretaria de Saúde, metade dos 13 mil atendimentos diários é de adultos e crianças com dificuldades respiratórias. Em dias normais, esse índice não chega a 10%. Ainda assim, a expectativa é de que o tempo melhore. De acordo com as previsões meteorológicas, há possibilidade de chuva nas regiões Oeste e Noroeste do Estado até domingo com a chegada da frente fria vinda do Sul do País.

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