Suzane e Daniel serão confrontados após depoimentos de testemunhas

Com quase duas horas de atraso, foi retomado no final da manhã desta terça-feira, 18, o julgamento de Suzane von Richthofen, Daniel e Christian Cravinhos, réus confessos do assassinato dos pais dela, Manfred e Marísia. O júri foi reiniciado com o depoimento da primeira testemunha, Andreas, irmão mais novo de Suzane. Após o interrogatório das testemunhas, será feita a acareação entre Daniel e Suzane, cujos depoimentos foram contraditórios na segunda-feira, 17. Há ainda a previsão da leitura das peças do processo, se houver tempo.O promotor Nadir Campos Junior queria o depoimento das testemunhas antes da leitura das peças do processo, pois, para ele, as testemunhas estavam muito cansadas e que a inversão da ordem dos procedimentos seria melhor. O promotor não soube dizer ao certo quantas testemunhas irão falar, de fato, no plenário, já que algumas já foram dispensadas e outras também poderão sê-lo. O promotor também disse que, apesar de Daniel ter tentado inocentar o irmão, não há nenhuma dúvida que Christian participou do crime. "Não há nenhuma dúvida sobre quem participou do crime. A dúvida é só de quem teve a idéia. Essa dúvida deverá ser sanada com a acareação entre eles" - falou. Campos declarou que o fato de Suzane não ter respondido a nenhuma pergunta da promotoria e dos irmãos Cravinhos é uma estratégia da defesa. "Essa é uma estratégia que a gente respeita, mas eu gostaria de saber, por exemplo, se tem algum dinheiro dela guardado no exterior, com código secreto, mas o advogado não permitiu que ela respondesse". Sobre o depoimento de ontem de Suzane, o promotor Roberto Tardelli disse que ficou estarrecido com o "relato extremamente frio" da jovem. "Parecia que não dizia respeito a ela. Impressionante a forma como se desliga da família", afirmou. O promotor reparou que, em seu relato, Suzane não se referiu à casa dos pais em nenhum momento como tal - falava sempre "minha casa, minha chácara". Considerou também que é "aterrador" o réu estudar o próprio processo. "Nunca vi disso", comentou.Tardelli encontrou 14 ou 15 contradições no depoimento dos 3 réus. Ele apontou que mudar a tese no dia do júri, como fez Christian ontem, ao negar que tenha golpeado Marísia von Richthofen, é "temerário". VômitoCampos insinuou que Suzane vomitou, ontem, propositalmente, para sujar as roupas que vestia. Ela passou mal duas vezes, por volta de meio-dia, e, ao vomitar, num banheiro, sujou a blusa e a calça que vestia.Para o promotor, ela pode ter sido orientada por seus advogados a agir assim para que tivesse de trocar de roupa. "O júri julga de forma diferente pessoas que estão com roupas comuns e com roupas de preso. Se ela troca de roupa e os dois outros réus não, isso pode influenciar na decisão do leigo", afirmou o promotor. Para evitar que isso acontecesse, os irmãos Cravinhos também trocaram de roupa, informou Campos Junior. Ele afirmou que os advogados de Suzane já haviam levado uma muda de roupa numa sacola para que ela mudasse.

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