Suzane e irmãos Cravinhos são condenados

Suzane von Richthofen e os irmãos Daniel e Christian Cravinhos foram condenados, no início da madrugada deste sábado, pela morte dos pais dela, casal Manfred e Marísia. Pela sentença do juiz Alberto Anderson Filho, Suzane e Daniel Cravinhos vão cumprir 39 anos de prisão em regime fechado pelos dois homicídios e seis meses em semi-aberto por fraude processual (eles tentaram forjar um latrocínio). Christian Cravinhos pegou 38 anos em regime fechado e seis meses no semi-aberto.Em entrevista coletiva, o promotor Alberto Toron disse que a diferença de um ano nas condenações de Suzane e Daniel Cravinhos e Christian Cravinhos se explica porque "o juiz entendeu que reprovabilidade que se possa atribuir a Christian é menor a que se deve atribuir a Suzane e Daniel, porque estes mantinham um relacionamento com as vítimas".O período de 39 anos de reclusão imposto a Suzane e Daniel é resultado da soma das duas condenações de cada um: 19 anos e seis meses por cada morte. Christian pegou 19 anos por cada morte, resultando nos 38 anos.Sem direito a recorrer da sentença em liberdade, os três saíram do tribunal direto para a prisão. Os irmãos Cravinhos foram levados do tribunal para o 2º Distrito Policial, do Bom Retiro, região central da cidade, onde passarão o restante da madrugada. Domingo, sob escolta policial, e horário ainda não definido, eles serão levados para a Penitenciária de Tremembé, no Interior do Estado. O advogado dos imãos afirmou que eles "agradeceram ao trabalho dos dois advogados e entenderam que essa punição era justa."Já o advogado de Suzane, Mário Sérgio de Oliveira, afirmou que a acusação teve apenas uma hora e meia de espaço de explanação enquanto a acusação explanou durante 3 horas. "Se a defesa tivesse o mesmo tempo, com certeza, ela seria absolvida. Suzane ficou muito abalada, chorou muito e explicamos que não vamos abandoná-la, continuaremos do lado dela e vamos defender todos os interesses dela. Segundo o advogado Mauro Octávio Nacif, Suzane já foi transferida para a penitenciária da cidade de Rio Claro.JúriDos sete jurados, quatro consideraram que a jovem teve participação da morte do pai. No assassinato da mãe, a decisão foi mais ampla: 6 a 1. Daniel e Christian Cravinhos também foram condenados, mas em decisão unânime em relação aos dois homicídios. Pela sentença do juiz Alberto Anderson Filho, Suzane e Daniel vão cumprir 39 anos de prisão em regime fechado pelos homicídios e seis meses em semi-aberto por fraude processual. Christian pegou 38 anos em regime fechado e seis meses no semi-aberto.Na avaliação do advogado da jovem, Mauro Otávio Nacif, ?foi na trave?. ?Estou muito triste?, disse ele. Segundo o defensor, Suzane chorou ao saber da condenação. Mas, ao mesmo tempo, já pensava nas possibilidades de progressão de regime. ?Eu acho que é 38 anos (de prisão) para todo mundo?, disse Nacif.Por volta de 0h30, antes da leitura da sentença, os promotores Roberto Tardelli e Nadir de Campos, assim como o assistente de acusação, Alberto Toron, não escondiam as expressões de decepção. Por sua vez, Mário Sérgio de Oliveira, outro defensor de Suzane, tinha o semblante feliz.Tanto os promotores quanto os advogados de defesa podem acompanhar a contagem dos votos dos jurados. Assim, embora não conheçam exatamente a pena que o juiz dará aos réus, eles já sabiam se houve condenação ou absolvição.Segundo Nacif, os jurados entenderam que a jovem foi psiquicamente coagida a cometer o crime, mas não se tratou de uma pressão irresistível. Ou seja, ela foi forçada a participar do assassinato dos próprios pais, mas teria condições de evitar que isso ocorresse. Assim, os jurados entenderam que os Cravinhos foram os responsáveis pelas duas mortes.O advogado de Suzane explicou que as votações dos pais foram diferentes porque o júri, ao votar sobre a morte de Manfred, considerou mais os argumentos da defesa. Em seguida, quando foram votar sobre Marísia, como Suzane já estaria condenada, foram mais duros.Para a acusação, a explicação para a discrepância é o cansaço. ?Eles erraram porque estavam muito cansados?, disse o promotor Tardelli. Ele explicou que a votação começou pelos irmãos Cravinhos, quando o voto ?sim? significava sempre a condenação. Na hora de votar os quesitos de Suzane, havia inversões, isto é, nem sempre o ?sim? condenava. Após cinco dias de sessões, alegou Tardelli, eles teriam se complicado. ?Envelheci uns 15 anos na votação?, disse Tardelli. Nacif disse que, ao ir cumprimentar o promotor, ouviu em resposta: ?Parabéns, doutor. Você quase conseguiu?.Último diaO quinto e último dia do julgamento do crime que chocou o País em 2002 foi cheio de emoção. Em seu discurso, a acusação tentou convencer os sete jurados - três mulheres e quatro homens - de que os três réus planejaram e executaram o crime por um único motivo: ficarem com os bens do casal Manfred e Marísia von Richthofen. A defesa dos irmãos Cravinhos, formada pelos advogados Adib Geraldo Jabur e sua filha, Gislaine Jabur, tentou absolver Christian da morte de Manfred. Os advogados ainda tentaram afastar dois motivos qualificadores (que tornam o crime mais grave): motivo torpe e emprego de meio cruel. Jabur responsabilizou Suzane pela morte dos pais e a comparou a Bia Falcão, personagem interpretada por Fernanda Montenegro na novela Belíssima. Quando o advogado Mauro Otávio Nacif argumentou, Suzane saiu da apatia dos últimos dias e levantou a cabeça para observar a reação dos jurados e do juiz. Nacif tentou deixar os jurados em dúvida em seu discurso. Com o Código Penal em mãos, advertiu que, em caso de dúvida, deveriam absolver os réus.Em seu discurso, o assistente da promotoria Alberto Zacarias Toron explicou aos jurados que fora contratado pelo próprio tio de Suzane, o ginecologista Miguel Abdalla, para auxiliar na acusação dos réus. "Os acusados devem ser tratados com respeito. E respeitá-lo é tratá-los como responsáveis por seus atos. Eles sentenciaram as vítimas e executaram a pena de morte. Que sejam condenados na medida exata de seus atos."Os advogados de Suzane insistiram na inocência da ré, alegando "coação irresistível". A "revelação bomba" prometida pela defesa no início do julgamento não aconteceu. Ele a revelaria na tréplica a que teria direito após as considerações finais do Ministério Público. Mas os promotores desistiram.

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