Suzane não vai desistir de herança

No fórum de Tremembé (SP), cidade onde está presa, ela disse que não abrirá mão dos cerca de R$ 2 milhões

Simone Menocchi, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2014 | 00h00

Suzane von Richthofen não vai abrir mão da herança à qual tem direito, no valor estimado de R$ 2 milhões. Ela esteve ontem à tarde no fórum de Tremembé, cidade do Vale do Paraíba onde está detida, e, na frente da juíza Márcia Berings Domingues de Castro, abdicou da renúncia. Esta foi a terceira vez que Suzane disse, diante da Justiça, que vai continuar lutando pelos bens deixados pelos pais que ajudou a matar.Suzane cumpre pena de 39 anos de prisão pela participação no assassinato dos próprios pais, Marísia e Manfred von Richthofen, em outubro de 2002, junto com Daniel e Christian Cravinhos, também presos em Tremembé.De acordo com o advogado de Suzane, Denivaldo Barni Júnior, ela insiste em querer a herança para obter os bens que eram dela antes do crime. ''''Eu não tenho a relação dos bens aqui, mas vai desde veículo até documentos, que estão presos ao inventário'''', disse. O fato de Suzane cumprir pena não lhe tira o direito, segundo o advogado, de obter o que já era dela. ''''Ela não abriu mão da herança porque o espólio não está bem gerido, não está sendo administrado bem'''', afirmou Barni Júnior, que não confirmou o valor da herança. ''''Não tenho essa informação''''. Estima-se que entre os bens da família estejam quatro imóveis, carros, uma quantia em dinheiro, além de documentos móveis e roupas. Tudo administrado pelo irmão de Suzane, Andreas.Segundo o advogado, diante dessa negativa de abdicar à renúncia, o processo do inventário seguirá normalmente, sem prazo para terminar.A defesa de Suzane tem esperança de que ela saia ainda este ano da penitenciária de Tremembé, onde está desde fevereiro, e possa esperar o resultado final do julgamento em liberdade. ''''Ela foi condenada, mas nós recorremos e está no Tribunal de Justiça. Até a última instância, quando não houver mais recursos, ela cumpre prisão processual e tem direito ao hábeas corpus.'''' A defesa espera um parecer favorável do Supremo Tribunal Federal para o relaxamento da prisão de Suzane. O ministro Marco Aurélio Mello votou a favor e o outro ministro, Ricardo Lewandowski, está analisando. ''''São cinco ministros. Se três forem favoráveis, Suzane sai da penitenciária'''', explicou o advogado.Vestida de traje penitenciário marrom, Suzane mais uma vez contou com a ajuda dos cabelos compridos e loiros para esconder o rosto das poucas pessoas que estavam no fórum de Tremembé. Desde que foi transferida de Ribeirão Preto, ela não recebe visitas, a não ser dos advogados Denivaldo Barni e Denivaldo Barni Júnior.Na penitenciária, fica na cela com detentas evangélicas e cumpre tarefas diárias, como varrer o pátio. Em dias de visitas, aos sábados e domingos, ela costuma não descer até o pátio para não ser reconhecida pelos parentes das presas. Os familiares costumam comentar, na saída das visitas, que nunca vêem Suzane e que as outras presas comentam que ela é ''''muito quieta''''.

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