Suzane vai abrir mão de todos os bens da família

A defesa de Suzane von Richthofen pediu ao juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri da Barra Funda, onde ela é julgada pela morte dos pais, durante o interrogatório do irmão dela, Andreas, que a ré seja interrogada novamente, para ela dizer que quer abrir mão de todos os bens da família. Ontem, ela disse não ter interesse em bens materiais, mas não renunciou ao patrimônio da família. Na sexta-feira, o advogado Denivaldo Barni, que representa a jovem na esfera cível, disse que ela aceitaria renunciar aos bens se o irmão Andreas desistisse da ação de exclusão de herança que move contra ela. Segundo Barni, a ação, chamada "de indignidade", é humilhante.AndreasQuando o advogado de Suzane, Mauro Nacif, perguntou a Andreas se ela poderia retornar ao plenário, para ser interrogada novamente, chamando-a de "sua irmã, que tanto o ama", o jovem respondeu que: "Se Suzane tanto me ama, por que ela faz isso tudo comigo? Por que ela não me deixa viver em paz?"Suzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Christian, confessaram ter planejado e matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.Nesta terça-feira, o júri foi retomado com o depoimento do irmão mais novo de Suzane, Andreas, que se apresentou com cabelos mais compridos e barba, e já desmentiu algumas das declarações dadas pela irmã ontem.A principal contradição apresentada por Andreas é a respeito da pistola encontrada em junho do ano passado dentro de um urso de pelúcia da irmã. De acordo com a versão de Andreas, a arma teria sido trazida por Daniel e Suzane a teria escondido dentro do brinquedo. Suzane, no entanto, afirmou ontem em seu depoimento que a arma era de Andreas, que a usava para caçar.Andreas também frisou por diversas vezes que o relacionamento da jovem com os pais era bom e que o pai era menos severo que a mãe. Ele disse também que, no começo do relacionamento de Suzane e Daniel, havia a aprovação dos pais e que o casal Richthofen só teria se oposto ao namoro após descobrir que Daniel teria apresentado maconha a Suzane. O irmão de Suzane falou que a família dos irmãos Cravinhos sempre tratou ele muito bem. Sobre o dia do crime, Andreas falou que o primeiro a chegar no local antes da polícia foi Daniel e que foi ele quem contou sobre a morte dos pais. Depois da prisão dos três envolvidos no crime, Suzane pediu perdão desesperadamente ao irmão. Conforme relato de Andreas, uma vez Suzane tentou convencê-lo a deixá-la morar no apartamento da avó, fazendo chantagem emocional, alegando que se isso não ocorresse, ela iria voltar para a prisão. Mas Andreas não autorizou esta mudança. AcareaçãoApós o interrogatório das testemunhas, será feita a acareação entre Daniel e Suzane, cujos depoimentos foram contraditórios na segunda-feira, 17. Há ainda a previsão da leitura das peças do processo, se houver tempo.O promotor Nadir Campos Junior queria o depoimento das testemunhas antes da leitura das peças do processo, pois, para ele, as testemunhas estavam muito cansadas e que a inversão da ordem dos procedimentos seria melhor. O promotor não soube dizer ao certo quantas testemunhas irão falar, de fato, no plenário, já que algumas já foram dispensadas e outras também poderão sê-lo. Para o promotor Roberto Tardelli, a acareação entre os três acusados do crime é necessária para esclarecer as contradições entre os depoimentos prestados ontem. "A primeira e a grande contradição entre todas é de quem teve a idéia macabra do prática do crime". Segundo o promotor, também houve contradições sobre o uso de drogas, da confecção dos porretes para o crime, quem efetivamente executou os golpes e também de quem teria prestado auxiliou as executores do crime. "Pelo menos ontem eu anotei que seria cerca de 14 ou 15 pontos que nós poderíamos sustentar que essa contradição justiçaria sim um pedido de acareação", explicou Tardelli. Relato frioSobre o depoimento de ontem de Suzane, o promotor Roberto Tardelli disse que ficou estarrecido com o "relato extremamente frio" da jovem. "Parecia que não dizia respeito a ela. Impressionante a forma como se desliga da família", afirmou. O promotor reparou que, em seu relato, Suzane não se referiu à casa dos pais em nenhum momento como tal - falava sempre "minha casa, minha chácara". Considerou também que é "aterrador" o réu estudar o próprio processo. "Nunca vi disso", comentou.Tardelli encontrou 14 ou 15 contradições no depoimento dos 3 réus. Ele apontou que mudar a tese no dia do júri, como fez Christian ontem, ao negar que tenha golpeado Marísia von Richthofen, é "temerário". VômitoCampos insinuou que Suzane vomitou, ontem, propositalmente, para sujar as roupas que vestia. Ela passou mal duas vezes, por volta de meio-dia, e, ao vomitar, num banheiro, sujou a blusa e a calça que vestia.Para o promotor, ela pode ter sido orientada por seus advogados a agir assim para que tivesse de trocar de roupa. "O júri julga de forma diferente pessoas que estão com roupas comuns e com roupas de preso. Se ela troca de roupa e os dois outros réus não, isso pode influenciar na decisão do leigo", afirmou o promotor. Para evitar que isso acontecesse, os irmãos Cravinhos também trocaram de roupa, informou Campos Junior. Ele afirmou que os advogados de Suzane já haviam levado uma muda de roupa numa sacola para que ela mudasse.ContradiçõesEm seus interrogatórios, os três réus entraram em contradição. Daniel Cravinhos inocentou seu irmão, Christian, dizendo que matou sozinho o casal Richthofen. Christian repetiu a versão do irmão, dizendo que apenas confessou o crime para protegê-lo. Suzane, por outro lado, se defendeu das acusações de Daniel, segundo quem ela teria fumado maconha antes de conhecê-lo e não era mais virgem. Suzane rebateu as declarações, dizendo que apenas conheceu as drogas após começar o namoro com Daniel. (Colaborou: Ellen Fernandes)Ampliada às 13h21

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