Suzane volta para presídio de Rio Claro

O juiz do caso, Alberto Anderson Filho, aceitou nesta quinta-feira o pedido da defesa para que Suzane von Richthofen, assassina confessa dos pais, o casal Manfred e Marísia von Richthofen, se apresentasse espontaneamente no Centro de Ressocialização Feminino (CR) de Rio Claro, onde ficará presa. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, Suzane chegou ao presídio por volta das 19h30 desta quinta-feira, acompanhada por seu advogado e protetor, Denivaldo Barni. Ainda segundo a SAP, Suzane provavelmente ficará na mesma cela que ocupava.O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou nesta quinta-feira, por 3 votos a 1, que Suzane, de 22 anos, deveria aguardar na cadeia o julgamento pelo assassinato de seus pais, marcado para 17 de julho, no Fórum da Barra Funda, em São Paulo. O advogado Mauro Otávio Nacif, que comanda a defesa da jovem, disse que ela chorou muito quando soube da decisão e considerou uma injustiça.Segundo Nacif, a jovem repetia sem parar que não havia feito nada errado para voltar à prisão. "É um absurdo mandar a Suzane para a cadeia. Pimenta Neves foi condenado e está solto. Ela nem foi julgada e está presa de novo." "As coisas foram apenas repostas. Voltou para a cadeia quem nunca deveria ter saído de lá", afirmou o promotor Roberto Tardelli, que pediu a prisão da jovem. "Isso mostra que a decisão de primeira instância foi correta, que nós não enlouquecemos." Ordem públicaOs integrantes da 6ª Turma do STJ cassaram liminar concedida em maio pelo ministro Nilson Naves, que deu a Suzane o direito à prisão domiciliar. Na semana passada, quando se iniciou o julgamento do mérito do recurso, Naves votou pela concessão da liberdade à jovem. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Hamilton Carvalhido. Nesta quinta, Carvalhido foi o primeiro a votar pela negativa do recurso, com base no artigo 312 do Código de Processo Penal. O dispositivo estabelece que a prisão preventiva pode ser decretada como garantia da ordem pública e econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. Segundo o ministro, a prisão de Suzane teve o objetivo de garantir a ordem pública e a instrução penal. Ele observou que havia a necessidade de proteção ao irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, arrolado como testemunha pelo Ministério Público Estadual (MPE). Os outros dois ministros da turma seguiram o voto de Carvalhido. O juiz que mandou prender a jovem em abril, Richard Chequini, ficou satisfeito com o posicionamento do STJ. "É gratificante saber que a decisão que você tomou foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e por um tribunal superior", afirmou. A prisão foi decretada após entrevista de Suzane ao programa "Fantástico", da Rede Globo, e com base em reportagem informando que ela queria cuidar do patrimônio da família. Em petição hostil ao irmão Andreas, Suzane afirmou que os bens da família estavam sendo dilapidados. Chequini entendeu que jovem representava uma ameaça ao irmão. Recentemente, o pedido da jovem para se tornar a inventariante dos bens dos pais foi negado pela 1ª Vara da Família e das Sucessões do Fórum de Santo Amaro. Júri Suzane, seu ex-namorado Daniel e o irmão dele, Cristian Cravinhos, confessaram ter matado os pais dela, Marísia e Manfred von Richthofen, a golpes de barra de ferro, na casa em que a família vivia, em outubro de 2002.Os três foram denunciados pelo Ministério Público por crime de duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.

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