Tabu do beijo Gay no PSOL

Programa eleitoral mostra pela primeira vez na TV cena evitada nas novelas

Etienne Jacintho, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

Polêmica

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) resolveu ontem, em questão de segundos, a longa celeuma em torno da exibição de um beijo gay em canal aberto, e não segmentado, no Brasil. A campanha do partido abriu o horário eleitoral trazendo, em seu primeiro minuto, cena de um rapaz beijando outro, como exemplo de que o cidadão tem opções de escolha na vida, inclusive a sexual.

A MTV, em programa no gênero Namoro na TV, já tinha mostrado homem beijando homem e mulher beijando mulher. A própria Globo, que gerou essa discussão ao cortar do último capítulo da novela América (2005) a cena de beijo escrita por Glória Perez e protagonizada por Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro, ousou exibir um selinho entre meninas no final de Mulheres Apaixonadas (2003) - mas, no contexto da trama, a imagem se referia a uma encenação teatral com as atrizes Paula Picarelli e Alinne Moraes.

Romance gay masculino até virou clichê em novela, mas beijo que é bom, nas teleficções de Globo, Record, SBT e Band, passa longe dos lábios.

Nos países vizinhos, a telenovela não é menos conservadora nesse terreno, mas a Argentina já venceu o receio. Em El Tiempo no Para, novela exibida no Canal 9, em 2006, houve mais que beijo gay, mas a trama ia ao ar após as 22 horas. O México, conhecidamente mais cauteloso nos costumes, saiu na frente com a primeira insinuação de beijo gay: foi em 1999, a novela La Vida en el Espejo.

No ano de 2005, mesma época em que a direção da Globo censurou o beijo entre os peões de América, o Chile assistia a uma intervenção similar na novela Complices.

Silvio de Abreu foi o primeiro a fazer o público torcer por um casal gay, com Sandrinho (André Gonçalves) e Jefferson (Lui Mendes), em A Próxima Vítima (1995).

Sem beijo. Em Paraíso Tropical (2007), de Gilberto Braga, Carlos Casagrande e Sérgio Abreu apareciam juntos na cama, e só.

Em Duas Caras (2008), Aguinaldo Silva tentou inovar o casal gay com uma insinuação de mènage a trois. Chegou a escrever cena de beijo gay, que não foi ao ar, para Thiago Mendonça e Lugui Palhares: os dois terminavam ao lado de Leona Cavalli e seu bebê, cuja paternidade o telespectador nunca conheceu.

Na TV paga, a história é outra. Beijos e até cenas de sexo são recorrentes em séries como True Blood, em cartaz na HBO, e nas já encerradas Os Assumidos, também da HBO, e L Word (Warner).

Agora, na TV aberta brasileira, até propaganda eleitoral já tem beijo gay. Só na ficção o veto prevalece.

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