Talão de Zona Azul some antes do aumento

Revendedores dizem que usuários e flanelinhas estão fazendo estoque

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

15 de junho de 2009 | 00h00

A duas semanas do reajuste da tarifa de Zona Azul, faltam talões em mais da metade dos postos de venda credenciados pela Prefeitura consultados pela reportagem. Levantamento feito em 50 estabelecimentos autorizados indica que em 60% deles não há talões para venda. Os comerciantes alegam que a escassez ocorre porque motoristas e flanelinhas estão fazendo estoque de blocos a preços mais baixos e, desde o início do mês, quando o reajuste foi anunciado, a distribuição foi restringida pela Prefeitura. Numa lotérica da Rua Major Sertório, no centro, os 25 talões que chegaram na segunda-feira passada foram vendidos no mesmo dia. "Geralmente, levo uma semana para vender essa quantidade", disse o dono, Agostinho Planeris. "Acabou porque vendo no preço oficial e está todo mundo querendo garantir o seu antes do aumento." A partir de 1º de julho, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai aumentar o valor da folha unitária de R$ 1,80 para R$ 3 - o primeiro reajuste em oito anos. O talão com dez folhas que hoje custa R$ 18 será vendido a R$ 28. As folhas adquiridas antes do aumento continuarão valendo. E as folhas antigas que forem vendidas depois do dia 1º terão de ser comercializadas com o valor que trazem impresso, de R$ 1,80. A CET afirma que não restringiu a distribuição dos talões para evitar estoques e está repondo os distribuidores. Mas, há dez dias, os pontos de venda no Parque do Ibirapuera, por exemplo, estariam proibidos de vender os blocos completos. "O usuário pode comprar no máximo cinco folhas", disse um dos funcionários. Do lado de fora do Ibirapuera, os flanelinhas, que já superfaturam com o comércio ilegal de Zona Azul, preparam-se para tirar ainda mais vantagem depois do aumento. No início da tarde de sábado, um deles foi flagrado por guardas civis metropolitanos vendendo a folha por R$ 5. Depois do dia 1º, o ágio deve aumentar. ÁGIONão são só os flanelinhas que superfaturam as folhas de Zona Azul. Até os revendedores credenciados pela Prefeitura ignoram o valor oficial e comercializam as folhas com ágio. Na quarta-feira, a reportagem visitou 32 estabelecimentos autorizados, cujos endereços estão no site da CET, e telefonou para outros 18 questionando o valor da tarifa. Em 52% dos locais, o comércio de folhas ou talões era superfaturado. Em alguns casos, os comerciantes já vendem, sem nenhum constrangimento, com o reajuste de 67% que começa a valer em 15 dias. Dos postos de venda visitados nos bairros do Itaim Bibi e Vila Mariana (zona sul), Pinheiros (zona oeste) e Bela Vista (região central), os localizados na Rua Santo Amaro, também na região central, são os que mais exploram os usuários de Zona Azul. Na rua, dos 15 estabelecimentos que vendem a folha, só uma lotérica comercializa a R$ 1,80. Os preços variam de R$ 2,50 a R$ 3. Segundo a CET, os postos de venda flagrados superfaturando os cartões de Zona Azul são descredenciados imediatamente. Mas não informou quantos estabelecimentos já foram punidos.COLABOROU PAULO LIEBERT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.