TAM ia recolher Airbus para manutenção no dia 17

Avião já tinha apresentado falhas horas antes do acidente e passaria por check-up em Congonhas

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

O vice-presidente da TAM, Paulo Castelo Branco, afirmou ontem à Comissão Parlamentar de Estudos sobre o Aeroporto de Congonhas, da Câmara de São Paulo, que o Airbus que se chocou com o prédio da empresa em 17 de julho, deixando 199 mortos, ficaria aquela noite em Congonhas. "Esse avião pousaria, faria mais um vôo, retornaria a Congonhas e entraria no check A (manutenção preventiva)." Mas ele negou que a causa fosse algum problema apresentado anteriormente.Na semana passada, porém, na CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados, o vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, disse que o Airbus teve duas falhas no dia do acidente. A primeira foi na madrugada, em inspeção de rotina no Aeroporto de Campo Grande, onde foi reparada uma falha no flap (freio aerodinâmico). A segunda apareceu dez horas depois, quando o avião iria de Congonhas para Belo Horizonte. O comandante notou superaquecimento de uma turbina.Segundo a TAM, sempre que um avião pousa é feita verificação. A manutenção do reverso pinado seria justamente em Congonhas. "Uma vez por semana qualquer aeronave é obrigada a parar para fazer esse check-up básico", afirmou Castelo Branco. O vereador José Rogério Farhat (PTB), que preside a comissão, pediu-lhe a lista de itens que deveriam ser revistos no Airbus.Pai do co-piloto do Airbus, Henrique Stephanini di Sacco, Raphael di Sacco acompanhou a reunião. Ele acredita que houve aquaplanagem e a investigação está deixando de lado fatos importantes, como a falta de infra-estrutura e a pressão sobre os pilotos."Não adianta ter excelentes pilotos e estrutura cheia de defeitos. É como levar um tiro pelas costas", criticou. "Os peões desse jogo estão estragados e o tabuleiro cheio de cupim. Todos fazem parte de um mesmo caldeirão, Anac, Infraero, Aeronáutica... A corrupção está solta."Di Sacco, de 82 anos, 60 na aviação, disse que em todas as empresas há pressão. "A primeira coisa a ser feita é devolver aos comandantes da aeronave a prerrogativa de serem, de fato, totalmente comandantes." Segundo ele, pilotos que se recusam a operar em condições que considerem perigosas acabam sofrendo represálias das empresas. "Eu conheço isso, porque seis ou sete empregos eu perdi porque disse não."

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