TAM nega falha mecânica em tragédia

Vice-presidente técnico confirmou que reverso estava inoperante

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2022 | 00h00

O vice-presidente técnico da TAM, Ruy Amparo, disse ontem ao Estado estar convicto de que a tragédia do vôo 3054 não foi causada por falha mecânica no Airbus A320. Assim como já havia dito em entrevista coletiva concedida na quarta-feira, ele reiterou que o reverso direito (freio aerodinâmico acoplado às turbinas) estava inoperante - "pinado", no jargão dos pilotos. Ressaltou, porém, que, pelos manuais do fabricante, o avião poderia continuar voando sem nenhum dos reversos por até dez dias. A falha, segundo Amparo, foi detectada pelos mecânicos no sábado passado, quando o avião estava no Aeroporto de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Por não conseguirem consertar um vazamento no sistema hidráulico, funcionários da companhia optaram por travar o equipamento - uma precaução para evitar que ele se abra em vôo. Desde então, o Airbus cumpriu uma média de 10 a 11 vôos diários - inclusive em Congonhas, com pista molhada - sem que os pilotos comunicassem nenhum tipo de problema. O único incidente registrado com o Airbus ocorreu na segunda-feira, véspera da tragédia. Um comandante admitiu à torre de controle de Congonhas que teve dificuldades para frear. O motivo, porém, seria a pista escorregadia. "Ele não falou em falha mecânica", disse Amparo. "Assim, não havia motivos para a empresa alterar as instruções do manual." Na terça-feira, antes de decolar do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, rumo a São Paulo, o comandante Kleyber Lima fez a última checagem na aeronave. Não constatou falhas. No livro de bordo assinado por ele e pelo mecânico responsável pela inspeção externa do avião, consta a expressão "Nil", que significa "nada a reportar". "Não podemos excluir nenhuma hipótese", afirmou o executivo. "Mas, pelas informações de que dispomos até o momento, precisaria ter havido três falhas nos três sistemas hidráulicos dos freios para explicar o fato de o avião não ter parado. Minha crença pessoal é de que a máquina não falhou." Questionado sobre a possibilidade de falha humana, Amparo preferiu evitar comentários. "Tudo o que eu falar agora é mera especulação. Vamos aguardar o resultado da leitura das caixas-pretas." Embora não tenha afastado um eventual erro dos pilotos, o executivo fez questão de reafirmar que ambos eram experientes. O comandante Kleyber estava na TAM havia 9 anos. Henrique Stefanini, ex-piloto da Transbrasil, foi admitido em janeiro, mas só no mês passado recebeu o certificado para comandar o Airbus A-320. "Isso não significa que ele fosse um novato", rebateu Amparo. Além de ter cumprido as 150 horas de instrução, disse ele, Stefanini passou pelos simuladores da TAM, onde treinou para atuar em situações de emergência em Congonhas. Não se sabe quem estava no comando no momento do acidente.

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