Nelson Antoine / AP
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Tarefa de falar sobre o caso agora é de Guerra

Serra disse ontem que o presidente do partido vai 'continuar tratando' do assunto

Roberto Almeida / SÃO PAULO, Mariângela Gallucci / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2010 | 00h00

O candidato tucano à Presidência, José Serra, decidiu delegar ao presidente do PSDB e seu coordenador de campanha, senador Sérgio Guerra (PE), a tarefa de falar sobre o escândalo da Receita Federal envolvendo a quebra de sigilo fiscal de sua filha, Verônica Serra.

Perguntado ontem sobre o caso, após visita à ExpoCristã, feira de produtos religiosos na zona norte de São Paulo, Serra disse que tem falado sobre as quebras de sigilo "todos os dias, há uma semana". "O presidente do partido, Sérgio Guerra, vai continuar tratando. A gente volta em outra hora a esse tema", afirmou.

Serra não se esquivou, porém, de tecer um rápido comentário e reiterar a acusação de aparelhamento do Estado. "Tratam-se de crimes contra a Constituição e da utilização do governo para fins de natureza político-partidária e eleitoral", observou.

Acompanhado do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, e dos deputados estaduais tucanos Vaz de Lima e Carlos Bezerra Jr., Serra percorreu os estandes da feira e recebeu brindes - CDs e DVDs de bandas gospel - e garantiu ser um "cristão convicto".

"Eu não sou cristão de boca de urna para agradar a eleitores e conquistar votos e, no dia seguinte, esquecer o assunto", afirmou o presidenciável.

Em seguida, Serra destacou "verdade e justiça" como valores para então fazer uma clara crítica à sua adversária, Dilma Rousseff - mas sem citar nomes. "Jesus é a verdade e é a justiça. E nisso eu acredito profundamente", disse o candidato, que continuou: "Justiça e verdade são coisas que fazem bem ao povo brasileiro, fazem bem ao nosso País no seu conjunto e fariam muito bem na política, onde eu diria: chega de enganação e chega de mentira."

Ao final da visita, Serra ainda cantou com um grupo de música gospel. O refrão, entoado tanto pelo presidenciável como por Alckmin, era "Tudo vai dar certo".

Já a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou ontem em Brasília que o adversário tucano baixou o nível da campanha e que ela não fará o mesmo. "Eu não comento (sobre) o candidato José Serra. Ele resolveu baixar o nível, ele fica com o nível baixo dele. Eu não vou ter esse nível", disse.

Segundo Dilma, "tem gente que torce contra o Brasil". "Tem gente que sempre acha que quanto pior melhor. Tem gente que passou o governo inteiro do presidente Lula torcendo para o Brasil dar errado. Eu acho que o Brasil está dando certo. Se eles acham que está dando errado, eles tentem convencer o povo disso", afirmou a candidata.

Dilma fez ontem um pronunciamento no jardim da casa onde funciona o seu comitê de campanha, em Brasília. Ela respondeu a poucas perguntas, alegando que estava com problemas de voz por ter enfrentado temperaturas muito diferentes nos últimos dias - o calor em Brasília e o frio em Osório, no Rio Grande do Sul.

A petista afirmou que não se considera eleita presidente da República, apesar de pesquisas de intenção de voto indicarem que, se a eleição fosse hoje, ela seria escolhida no primeiro turno. "Estou fazendo campanha, disputando dia a dia. Só no dia 3 de outubro alguém se considerará eleito e depois da apuração. Nem às 5 horas dá para a gente se considerar eleito. Tem de apurar", disse.

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