Tarso admite que Exército não fará ação de confronto no Rio

O Exército não entra direto no confronto contra a violência do Rio. A afirmação foi confirmada nesta quinta-feira, 19, pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, durante visita ao Recife. Ele afirmou que a função do Exército no Rio de Janeiro não será a de ir para o confronto nas ruas. "A presença do Exército pedida pelo governo do Rio já está sendo colocada nos seus devidos termos", afirmou. "O Exército vai ser ponto de apoio apenas para liberar ações policiais regionais, colocando no combate ao crime as polícias estaduais". O ministro deu entrevista depois de participar da abertura de reunião do Conselho Nacional de Segurança Pública do Nordeste (Consene), quando garantiu que no máximo em 60 dias, será apresentado ao País um programa nacional de segurança pública, que integra projetos que vão desde a capacitação do policial, treinamento, meios para o exercício da atividade policial altamente qualificado, como políticas sociais. "É essa lógica de integração das políticas sociais com a política de segurança pública que pode derrubar os indicadores de violência e criminalidade a médio de longo prazo", defendeu. Com a presença de três governadores nordestinos - Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, Cássio Cunha Lima (PSDB), da Paraíba e Teotônio Vilela Filho (PMDB) de Alagoas - foi assinado protocolo de intenções do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). O Susp foi criado em 2003, visando a articular ações federais, estaduais e municipais na área da segurança pública e da justiça criminal. Segundo Tarso Genro, agora, quatro anos depois, inicia-se uma segunda etapa do Susp. Na primeira etapa, 90% dos Estados instituíram os Gabinetes de Gestão Integrada da Segurança Pública (GGI). Os GGI - de acordo com a assessoria de comunicação do Ministério da Justiça - foram criados para dar suporte na investigação e no combate à criminalidade, agrupando trabalhos de inteligência, operações e informação. O governador Eduardo Campos exemplificou o resultado da integração das polícias - federal e estaduais - com o recente desbaratamento de grupos de extermínio em Pernambuco. Para o paraibano Cássio Cunha Lima, de nada adianta se criar novas siglas se a educação não for tratada também como prioridade dentro de um pacto federativo da segurança pública. Ele teme que as siglas ganhem mais relevância do que a ação propriamente dita. Ele voltou a destacar que o modelo federativo está errado, com um processo de concentração de recursos na União, sem o devido repasse para Estados e municípios em áreas essenciais. E exemplificou com o Fundeb, de apoio ao ensino fundamental, tido como um programa federal, mas no qual a União contribui menos do que a Paraíba sozinha.

Agencia Estado,

19 Abril 2007 | 18h23

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