Tarso defende um PT menos paulista e critica Palocci

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, defendeu nesta quarta-feira, em entrevista à rádio CBN, uma reestruturação do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo a permitir que o eixo de controle político da legenda não seja apenas de São Paulo. "O PT tem que deixar de ter o seu eixo exclusivo de controle político a partir de São Paulo", disse.Apesar da consideração, o ministro emendou: "Isso não significa um desprestígio de São Paulo, significa uma proposta de compartilhamento, de renovação e de reestruturação profunda do partido. E não significa nenhuma crítica pessoal a nenhuma liderança. É que o excesso de poder de um determinado grupo leva à deformação de tudo o que é partido, não só do PT", disse na entrevista.Críticas a PalocciAo citar que o Brasil, independente de quem vença as eleições neste segundo turno, deverá crescer, pelo menos, 5% no próximo ano, o ministro das Relações Institucionais criticou o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci."Quando eu era ministro da Coordenação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, nós já trabalhávamos esse tema e, naquela oportunidade, esse tema era meio vetado pelo Palocci dentro do governo. Nós tivemos até algumas polêmicas sobre isso. O Palocci tinha uma visão que foi levada ao seu extremo, na minha opinião, e que inclusive prejudicou o desenvolvimento do Brasil, com baixa taxa de crescimento no ano passado."Apesar da crítica à postura do ex-ministro da Fazenda, Tarso Genro considerou: "Apesar disso, o trabalho que foi feito deu estabilidade macroeconômica para o País e hoje temos todas as condições - de prestígio internacional, comércio exterior, baixa inflação e declínio da taxa de juros, que nos permite dizer que o País deve e pode crescer, no mínimo, 5% a partir do ano que vem. Não é nenhuma aventura, nenhuma profecia é uma possibilidade concreta baseada no trabalho realizado pelo governo Lula."GolpismoAinda na discussão deste tema, o ministro acusou os adversários de tentativa de "golpismo político". Na entrevista, ele destacou: "Se Alckmin ganhar (essas eleições), vai ter legitimidade para governar e duvido que alguém ouse entrar na Justiça para não legitimar a sua vitória e pensamos o mesmo com relação ao presidente Lula." E continuou: "Quando existe essa movimentação da oposição tentando tentar criar um fato político para ser aproveitado posteriormente para deslegitimar a vitória, temos de responder duramente. É golpismo político sim. É uma postura que tenta preparar uma instabilidade para aproveitá-la depois, não me parece adequado e acho que não é a postura de toda a oposição."PT e segundo mandatoSegundo o ministro, num eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT terá um papel importante, "mas não exclusivo". E frisou: "Essa visão de exclusivismo leva ao aparelhismo. O presidente Lula vai organizar, no próximo período, um governo de coalizão." Na entrevista, Genro citou que tem certeza de que o PT vai se reorganizar, se reestruturar e modernizar sua visão programática.Tarso Genro descartou, na entrevista, que o PT esteja promovendo uma campanha do medo e do terror, como acusam os adversários, sobretudo os tucanos e pefelistas. "Sempre que se usa essa tática do medo, do terror, está se apontando algo que é um mal e no caso concreto estamos discutindo se vai ou não haver processo de privatização, que o próprio candidato Alckmin (presidenciável da coligação PSDB-PFL,Geraldo Alckmin) diz que é um bem. O que se discute com a privatização é uma questão de natureza programática", avaliou.

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