Tarso diz temer ´trama´ parecida com a de 1989

O ministro de Relações Institucionais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso Genro, afirmou em entrevista ao jornal espanhol El País temer uma "trama" parecida com a de 1989, quando um dos seqüestradores do empresário Abílio Diniz foi apresentado vestindo camiseta do PT. À época, Lula disputava a Presidência da República com Fernando Collor. "Isso é possível na situação política brasileira. Hoje existem sintomas políticos no sentido de que se busca criar um ambiente de instabilidade cujo objetivo é deslegitimar o resultado das eleições", afirmou. Tarso garantiu que conta com informações que provam que esse risco existiria. "Nos últimos dias, vários meios de comunicação estão oferecendo informações sobre ações ilícitas cometidas por pessoas do PT que são atribuídas à comunidade política de esquerda centradas no PT", disse. O ministro contou ainda como Lula estaria "perplexo" com o comportamento da oposição, que teria uma "conduta incendiária". O ministro não economiza críticas contra Fernando Henrique Cardoso. "Ele (Fernando Henrique) é muito arrogante, representa uma intelectualidade paulista elitista tradicional no Brasil", apontou. GolpismoO ministro caracterizou o que ocorre no Brasil de "golpismo". "Não é um golpismo militarista tradicional. É um golpismo de natureza política, que busca provocar a instabilidade política para afetar a legitimidade do presidente que vai ser eleito. É uma tentativa de conseguir um terceiro turno. Ou seja, situar a oposição em uma linha ofensiva, artificial, diante de um segundo mandato de Lula", afirmou. Para ele, trata-se de um "comportamento típico da elite brasileira diante de um movimento popular". Em sua avaliação, Fernando Henrique Cardoso "não se comporta como um ex-presidente". Tarso o acusa de difundir mentiras no exterior e de não aceitar a vitória de Lula. Para completar o ministro aponta que o atual governo herdou a corrupção de governos anteriores, inclusive de Fernando Henrique. Quanto à situação econômica do País, Tarso estimou que o Brasil crescerá 5% em 2007 e, nos anos seguintes, a taxas superiores. "O segundo mandato impulsionará um maior crescimento econômica e um forte processo de redistribuição de renda e de criação de emprego", completou.

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