Tarso é favorito, mas suspense deve ir até o fim

José Fogaça (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB) apostam na tradição do Estado de sempre ter eleições equilibradas

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

A eleição para o governo do Rio Grande do Sul promete suspense até a contagem do último voto. A dúvida é se haverá segundo turno e, nesse caso, quem será o escolhido para enfrentar o petista Tarso Genro. Decisão em primeiro turno seria inédita no Estado.

Em pesquisa Ibope publicada ontem no jornal Zero Hora, o candidato petista tem 48% na modalidade estimulada e, excluídos os porcentuais de brancos e nulos (3%) e distribuídos proporcionalmente os indecisos (5%), ficaria com 52% dos votos válidos. O ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), tem 26% na modalidade estimulada e 28% dos válidos. Nos mesmos quesitos, a governadora Yeda Crusius (PSDB), que busca a reeleição, tem, respectivamente, 15% e 16%.

O Rio Grande do Sul tem histórico de eleições equilibradas e tensas. As mais recentes tiveram reviravoltas espetaculares na última semana antes do primeiro turno. Em 2002, Germano Rigotto (PMDB) saltou do terceiro para o primeiro lugar e, depois, confirmou a vitória no segundo turno, vencendo Antônio Britto (PPS). Em 2006, Yeda também saltou do terceiro para o primeiro lugar, desbancando Rigotto.

Nas duas eleições anteriores, os petistas Tarso, em 2002, e Olívio Dutra, em 2006, se garantiram no segundo turno graças aos cerca de 30% do eleitorado fiel ao PT, mas foram derrotados pela corrente antipetista.

Agora, o partido aposta numa conjuntura diferente. A campanha de Tarso é empurrada pela popularidade do presidente Lula, tem apoio do PSB, PC do B e PR, de prefeitos do PDT e, em casos pontuais, de políticos do PP.

Além disso, a candidatura parece ter quebrado a resistência ao PT em setores empresariais. Na campanha, Tarso repetiu como mantra expressões do tipo "o Rio Grande precisa crescer no ritmo do Brasil" para vincular sua candidatura à campanha presidencial de Dilma Rousseff.

Ministro da Educação e também da Justiça de Lula, Tarso passou os últimos dias exortando a militância a conquistar uma fatia dos 10% que se declararam indecisos. "Temos tradição de crescer de 3 a 4 pontos na última semana, portanto a expectativa (de vitória) está colocada", disse na sexta-feira, enquanto cumprimentava eleitores no centro de Porto Alegre. "Mas o fundamental não é ganhar no primeiro turno e, sim, ganhar a eleição."

Neutralidade. Fogaça também tenta romper um tabu e ganhar uma eleição sem estar no apoio ou oposição declarados ao poder central. O ex-prefeito de Porto Alegre alega que, por ter simpatizantes de José Serra (PSDB), Dilma Rousseff e Marina Silva (PV) na sua aliança, não poderia oferecer seu palanque a nenhum dos presidenciáveis.

Na campanha, Fogaça destacou propostas para o desenvolvimento regional e deu a entender que vai cultivar boas relações com quem estiver no Palácio do Planalto. Ele disse que, como prefeito, de 2005 ao início de 2010, fez diversas obras em parceria com o governo federal. "Tenho a experiência da parceria intensa e permanente."

Para levar a eleição além da primeira fase, Fogaça apostou na força do PMDB, que tem 380 prefeitos e disputa com o PP a condição de maior partido do Estado. Confiante, diz que no segundo turno tudo recomeça do zero.

Rejeição. Ministra do Planejamento na gestão Itamar Franco, Yeda também tem um desafio pessoal: nunca um governador foi reeleito no Estado. Ela também conta com o voto dos indecisos, esperando uma reviravolta semelhante à de 2006, mas enfrenta rejeição próxima de 40%.

Na campanha, Yeda exibiu resultados orçamentários favoráveis, algo que não ocorria há décadas no Estado, e mostrou como trunfos a retomada de investimentos com recursos próprios e o fim nos atrasos em pagamentos de salário e a fornecedores.

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