Tarso Genro é eleito governador com 54% dos votos

Em sua terceira tentativa, ex-ministro da Justiça do governo Lula obtém vitória inédita no Estado

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

O ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT) venceu ontem a eleição para o governo do Rio Grande do Sul no primeiro turno. O fato é inédito na história política do Estado, acostumado a disputas acirradas, sempre decididas na segunda rodada, por pequena margem.

Com todas as urnas apuradas, o candidato da coligação Unidade Popular Pelo Rio Grande (PT, PR, PSB e PC do B) teve 3.416.335 votos, correspondentes a 54,35% dos votos válidos, e não podia mais ser alcançado pelos adversários. O ex-prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), teve 1.554.783 votos (24,74%) e a governadora Yeda Crusius (PSDB), candidata à reeleição, ficou em terceiro lugar, com 1.156.350 votos (18,4%).

Pouco depois de saber que a vitória estava assegurada, Tarso seguiu para o comitê de campanha. Ao sair, declarou que quer unir o Estado em torno de um programa, que não considera neutro. "Ele tem visão de desenvolvimento regional, de combate às desigualdades sociais, e queremos convocar todas as forças políticas que tenham simpatia por esse projeto."

Advogado, 63 anos, nascido em São Borja, Tarso conquistou o governo do Rio Grande do Sul depois de duas tentativas malsucedidas. Em 1990, quando ficou em quarto lugar, concorreu somente para marcar espaços para o PT, à época um pequeno emergente, no território político estadual. Em 2002 largou a prefeitura de Porto Alegre e provocou uma prévia que alijou da disputa o então governador Olívio Dutra, candidato natural à reeleição. Como perdeu a eleição, no segundo turno, para Germano Rigotto (PMDB), foi criticado pela sucessão de erros.

Planejamento. Desta vez, Tarso e o PT gaúcho fizeram uma campanha meticulosamente planejada para dar certo. Ainda na metade do ano passado, lançaram a candidatura por consenso e anteciparam-se a um possível pedido de apoio ao PMDB, de correntes do diretório nacional do PT, em troca da ampliação do palanque para a candidata à Presidência Dilma Rousseff.

No início deste ano, Tarso deixou o Ministério da Justiça e passou a percorrer o Estado colhendo subsídios da sociedade para o plano de governo. Também negociou as adesões do PSB, do PCdoB e do PR e atraiu a simpatia de setores do PDT e até de algumas lideranças do PTB, do DEM e do PP, rompendo com o isolamento do PT no Estado.

Quando a campanha começou, no entanto, é que veio a maior força: o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tarso se apresentou como o candidato que poderia casar os programas do Estado com os do governo federal. "Pelo fato de ter participado sete anos do governo Lula me credenciei como representante do projeto do presidente", reconhece o governador eleito, que também admite que sua campanha e a de Dilma à Presidência ajudaram-se mutuamente. Se observados os números das pesquisas do Ibope, a curva dos dois foi semelhante no Estado. Tarso largou com 39% no início de julho e tinha 48% no fim de setembro. Dilma oscilou de 37% para 47%.

Desde o amanhecer, a coligação de Tarso demonstrava convicção de que venceria a eleição. Quando chegou ao Hotel Plaza São Rafael, no centro de Porto Alegre, para o café da manhã com a candidata do partido à Presidência, Dilma Rousseff, e cerca de 250 líderes políticos de sua aliança, o candidato não escondeu seu otimismo ao dizer que nunca havia participado de uma campanha que desse tão certo como a deste ano.

Apesar da tendência detectadas nas pesquisas, os concorrentes mais próximos de Tarso passaram o dia falando em reversão da expectativa. Em sua primeira atividade, Fogaça falou a cerca de 150 militantes na sede do PMDB afirmando que as urnas iriam surpreender e decepcionar os pessimistas. À noite, reconheceu a derrota e agradeceu o esforço da militância. Yeda visitou emissoras de rádio e televisão.

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