Tarso Genro mantém na pasta delegado citado na Hurricane

O ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu neste sábado, 21, não afastar o delegado Zaqueu Teixeira do cargo de assessor especial do Ministério. Zaqueu foi citado nas investigações da Polícia Federal que resultaram na Operação Hurricane (furacão, em inglês). Por intermédio de sua assessoria, Genro argumentou que Teixeira é "apenas citado e não está sendo investigado" e, por isso, "não há motivos para tomar qualquer medida" contra o delegado. Zaqueu Teixeira foi chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro no governo de Benedita da Silva (PT), em 2002. Antes de se pronunciar favoravelmente à permanência de seu assessor especial no Ministério da Justiça, Tarso foi informado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, de que Teixeira não é investigado nem foi indiciado pela Hurricane. Em uma ligação interceptada pela PF, um homem identificado como Lula diz ao policial civil Marco Antônio dos Santos Bretas, preso sob a suspeita de ser o operador da máfia dos caça-níqueis, que o "doutor Zaqueu está descapitalizado para a campanha e que teria pedido "ajuda aos amigos". Na conversa que teve com Paulo Lacerda, o delegado Zaqueu garantiu que não conhece nem Bretas nem Lula. Informou ainda que em nenhum momento teria procurado recursos ilegais para financiar sua campanha à Câmara. Em 2006, Zaqueu concorreu a uma vaga de deputado federal pelo PT, mas não conseguiu se eleger. Pelas gravações telefônicas interceptadas pela PF, a conversa entre Marco Bretas e Lula aconteceu no dia 12 de setembro de 2006, na reta final da campanha eleitoral. De acordo com o diálogo reproduzido no inquérito da PF sobre a Hurricane, o delegado Zaqueu teria procurado o grupo interessado em pôr placas de sua campanha em terrenos do empresário Pasquale Mauro, dono de diversas propriedades na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, ou em áreas conseguidas por Marcos Bretas. Ligação Bretas é apontado pela Polícia Federal como representante do contraventor Ailton Jorge Guimarães, conhecido como Capitão Guimarães, e de seu sobrinho Julio Cesar Guimarães. Desde o dia 14 de abril, Bretas, capitão Guimarães e Julio Cesar estão presos em Brasília com outras 22 pessoas suspeitas de envolvimento com a máfia do caça-níqueis. No diálogo interceptado pela PF, Lula conta que disse ao delegado Zaqueu que seria difícil convencer o empresário Pascale Mauro. Bretas diz que as placas podem ser colocadas na casa de uma mulher identificada apenas como Denise.

Agencia Estado,

21 Abril 2007 | 13h42

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