Tática de expulsar ou esconder mendigos é velha

Estratégias de expulsar, eliminar ou esconder mendigos não são novas e mostram que muitas vezes se prefere jogar o problema no quintal dos outros a criar políticas públicas para resolvê-lo. No século passado, o tema já despertava controvérsia e se tentava, sem sucesso, retirar das ruas pessoas que não "mereciam" receber esmolas. Nos anos 60, o assassinato de mendigos por policiais no Rio foi um escândalo, assim como as tentativas de ocultar a população de rua durante a Rio-92. Dois outros casos que ganharam destaque se passaram em 1999 em Corumbá, de onde o prefeito Éder Brambilla (PSDB) expulsou 27 mendigos, e em Santos, de onde o mendigo Joaquim Moreira garantiu ter sido trazido à força.Segundo a Fipe, em 2000, São Paulo tinha 8.200 pessoas em situação de rua e apenas 35% delas eram do Estado. Isso mostra, na opinião da secretária de municipal de Assistência Social, Aldaíza Sposati, que muitos que estão nas ruas são "trecheiros", pessoas que se mudam de um lugar a outro logo que aparece uma oportunidade.Ela diz que ainda não foi informada oficialmente da "migração encomendada" do Rio e planeja discutir o caso na próxima semana no Conselho Nacional de Assistência Social. "Não dá para pensar numa política só municipal para população de rua. É preciso integrar capitais e áreas metropolitanas para impedir a empurroterapia", defende, destacando que a Prefeitura destinará neste ano R$ 13,5 milhões para atendimento de moradores de rua em casas de convivência, albergues, abrigos e centros de serviço.Para o relações-públicas da Associação Reciclázaro, entidade que atende diariamente 1.200 pessoas que vivem nas ruas, a iniciativa carioca de mandar embora os mendigos é absurda e inútil. "Você limpa os sintomas da falta de política social e deixa as causas."

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